Política

Marcelo levanta Coliseu com discurso emotivo sobre a história do partido

Marcelo levanta Coliseu com discurso emotivo sobre a história do partido

O antigo presidente dos sociais-democratas Marcelo Rebelo de Sousa apareceu, este sábado, de surpresa no Congresso do PSD e animou e levantou o Coliseu de Lisboa com um discurso emotivo em que falou da história do partido.

Marcelo Rebelo de Sousa revelou ter hesitado se devia ou não aparecer neste Congresso, referindo que houve quem lhe dissesse que iria parecer estar a fazer-se "ao piso para qualquer coisa" - numa alusão à polémica sobre uma eventual candidatura sua às presidenciais de 2016.

Num discurso de quase uma hora, que acabou com aplausos de pé dos congressistas, o professor de direito e comentador político afirmou ter decidido não faltar ao Congresso em que o PSD comemora os seus 40 anos.

Sem zanga

Marcelo Rebelo de Sousa disse não ter existido qualquer "zanga" com o atual presidente, apenas "opção política" para as eleições presidenciais de 2016.

"Nunca estivemos zangados. Não é um problema de zanga, é um problema de opção política", justificou, sobre o episódio de janeiro, no qual o primeiro-ministro, Passos Coelho, definiu um perfil de candidato a Belém que devia evitar ser uma "espécie de protagonista catalisador de qualquer conjunto de contrapoderes ou catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político".

O comentador político interpretou na altura que o líder social-democrata se estava a referir à sua pessoa e autoexcluiu-se de uma futura candidatura à Presidência da República.

À saída do Coliseu dos Recreios, onde fez uma intervenção de quase uma hora, o ex-líder do PSD foi também questionado sobre a escolha de Passos Coelho para encabeçar a lista da direção ao Conselho Nacional.

"Eu disse que o primeiro-ministro tinha umas teimosias. As teimosias têm virtudes e têm defeitos. Uma das teimosias é esta. Acho que, no fundo, ele quis dizer a Miguel Relvas - eu afastei-te, mas isso não foi nada de desconsideração pessoal, de quebra de lealdade'", comentou.

Relvas, "braço-direito" do líder na versão inicial deste executivo da maioria PSD/CDS-PP, demitiu-se há quase um ano. Enquanto pertenceu ao Governo, o ex-ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares esteve envolvido em diversas polémicas, nomeadamente a da sua licenciatura na Universidade Lusófona e as suas ligações a membros dos Serviços de Informações.

"Quando mete uma coisa na cabeça, mesmo que lhe traga riscos, ataques, dissabores, complicações, é teimoso...", continuou Rebelo de Sousa sobre esta opção de Passos Coelho.