Política

Mudanças no Exército podem sair caras ao país

Mudanças no Exército podem sair caras ao país

O chefe do Exército anunciou a concentração de cinco quartéis num só, o de Mafra, mas a opção pode sair cara. Não há condições físicas para fazer tiro nem exercícios e o quartel é do século XVIII.

Amedida foi anunciada pelo tenente-general Pina Monteiro, chefe do ramo terrestre das Forças Armadas, no âmbito da reestruturação das Forças Armadas, que o ministro Aguiar--Branco publicitou com o programa "Defesa 2020", para melhorar o produto operacional, reduzir custos, com o corte de 30% dos quartéis e descer de 38 mil homens para 32 ou 30 mil. E Passos Coelho, que ontem esteve no EMGFA, exigiu "ação" na reforma das Forças Armadas.

A principal resposta do Exército reside, para já, na concentração em Mafra dos quartéis das escolas práticas de Transmissões (Matosinhos), Cavalaria (Abrantes), Artilharia (Vendas Novas) e Engenharia (Tancos), com implicações também nas unidades da Serra do Pilar (Gaia) e Pontinha (Lisboa), num conceito de "Escola das Armas", mas se o conceito é pacífico já a opção geográfica levanta críticas. É que as escolas práticas são essencialmente unidades de formação e instrução de oficiais e sargentos, viradas para a prática, como o próprio nome indica, mas em Mafra só pode ser feito tiro de G-3 e não há espaço para a movimentação, em exercícios, de blindados, em particular lagartas.

E as lacunas de Mafra agravam-se quando o conceito de instrução de "armas combinadas" obriga a integrar infantaria, cavalaria e engenharia - num módulo seguido pelos batalhões destinados ao exterior - e, por vezes, artilharia.

Mafra poderia funcionar como espaço para a teoria, mas para os treinos obrigaria a deslocações superiores a 300 km, para Santa Margarida, o ponto mais próximo e que permitiria concretizar a instrução, mas com os inerentes gastos em deslocações e desgaste de viaturas.

A concentração das unidades e a melhoria da instrução eram preocupações do relatório do Instituto de Defesa Nacional, num estudo solicitado pelo ministro da Defesa Aguiar-Branco relativo ao panorama das Forças Armadas. No relatório, entregue ao ministro, e em que parte das conclusões vêm agora vertidas no novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional, o IDN propunha a criação da escola de armas combinadas, com a concentração de quartéis, mas a opção eram os vários quartéis em Tancos, pela proximidade a Santa Margarida (não mais de 10 km).

Justificava o IDN que em Santa Margarida está "sediado o plastron operacional" e libertaria "um conjunto de instalações muito significativo e reduzindo custos".