Membros da ETA que tentaram estabelecer base em Portugal condenados a 37 e 22 anos de prisão
A Audiência Nacional em Madrid condenou, esta segunda-feira, a penas de 37 e 22 anos de cadeia dois membros da ETA que tentaram estabelecer em 2010 uma base da organização em Portugal, absolvendo um terceiro arguido julgado como colaborador.
Garikoitz Garcia Arrieta foi condenado a 37 anos de cadeia e Iratxe Yañez Ortiz a 22 anos, segundo a sentença desta segunda-feira, divulgado pela Audiência Nacional, um tribunal especial encarregado de julgar, entre outros, crimes de terrorismo.
Os dois membros da ETA foram detidos em janeiro de 2010 quando tentaram introduzir em Portugal armas, explosivos e documentos falsos.
Viajavam, a partir de França, numa carrinha conduzida por García Arrieta e que a polícia espanhola tentou parar num controlo próximo da fronteira com Portugal, em Bermillo de Sayazo (Zamora).
Arrieta - condenado pelos delitos de integração em organização terrorista, transporte de armas e explosivos, atentado terrorista com lesões e roubo com violência - conseguiu, nesse controlo, escapar num veículo policial.
Ao volante do carro da polícia civil, García Arrieta entrou em Portugal, onde acabou por ser detido horas depois.
Iratxe, que admitiu no julgamento que é membro da ETA há dez anos, apoiou a operação conduzindo um outro carro de França até Portugal, onde foi também detido pouco tempo depois de passar a fronteira.
Na sentença o tribunal considerou provado que os condenados "estavam à disposição dos desígnios e fins da organização terrorista de maneira permanente" e "submetidos à disciplina e hierarquia militar" da ETA.
Refere que os dois condenados "foram mandados para transportar de França para Portugal armas, munições, explosivos, componentes para o fabrico de artefactos, placas de matrícula de carros e utensílios para sua falsificação" que deveriam "abastecer uma base da organização", localizada numa casa em Óbidos a partir da qual "deveriam executar atentados".
O terceiro arguido no processo, Luis María Cengotitabengoa Fernández, foi absolvido porque o tribunal considerou não ter sido provado que o homem tenha dado, voluntariamente, o seu passaporte que foi encontrado num dos veículos.
O documento, explica a sentença, poderia ter sido roubado pelo seu irmão, atualmente a cumprir pena em Portugal por integração na ETA, que anteriormente teria visitado a casa da família.
