Observatório de Segurança admite hipótese de organização ter algum apoio em Portugal
José Manuel Anes, do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), admitiu hoje a hipótese de a organização terrorista basca ETA ter algum apoio em Portugal e defendeu a necessidade de "aumentar a vigilância".
Dois espanhóis, suspeitos de pertencerem à ETA, foram detidos no domingo em Moncorvo. O Ministério do Interior espanhol explicou, em comunicado, que esta operação teve início na noite de sábado, quando as autoridades espanholas detiveram uma carrinha com explosivos junto à fronteira com Portugal
José Manuel Anes apontou à agência Lusa três hipóteses para a presença dos espanhóis em Portugal. "A primeira é que poderiam vir pela zona raiana, descendo por Portugal, até ao Sul, Algarve, para entrarem em Espanha". Para o responsável, os suspeitos circulariam "mais facilmente em Portugal do que em Espanha", onde há uma "vigilância muito apertada em relação aos movimentos da ETA".
A segunda hipótese é, nessa circulação, os dois espanhóis terem eventualmente algum ponto de apoio transitório. A última hipótese, que "seria a mais grave, era disporem já de algum apoio fixo em Portugal", explicou, considerando esta circunstância a "menos provável".
Para o responsável, o "exame detalhado" ao material que foi encontrado na carrinha em que seguiam poderá indiciar se, realmente, esse apoio seria transitório ou fixo.
Manuel Anes sublinhou que, no entanto, o alvo da ETA é "sempre Espanha". "O que acontece é que como [os membros da ETA] estão muito acossados em França, eventualmente poderá passar-lhes pela cabeça o estabelecimento de um apoio temporário ou permanente em Portugal", avançou.
José Manuel Anes diz ainda que este é um "momento de grande dificuldade da direcção da ETA, que está isolada cada vez mais e há uma corrente fortíssima que pretende cessar-fogo e começar negociações".
Anes lembrou outras situações relacionadas com a ETA e Portugal, como a detecção de um carro português com explosivos perto de Ayamonte e de uma viatura alugada em Portugal que foi utilizada em acções da ETA.
Os terroristas da ETA, "eventualmente, poderão ter algum tipo de apoio [em Portugal], mas pequeno, penso eu", disse, ressalvando que "ainda é prematuro fazer algum tipo de afirmações seguras nesse sentido. Mas são possibilidades".
Embora Portugal não seja alvo da ETA, o responsável defendeu que há o "dever de solidariedade e cooperação internacional, particularmente com os países vizinhos".
Nesse sentido, "é muito importante aumentar-se a vigilância em relação a esses fenómenos".
"Estamos todos no mesmo barco e deve haver solidariedade na luta contra o terrorismo, que é um fenómeno que todos os países civilizados rejeitam", vincou.
