As quatro entidades que se instalaram no edifício vendido pelos CTT ficaram a pagar rendas cujos valores, multiplicados por sete anos, chegam aos vinte milhões de euros. Tanto quanto a sociedade Espírito Santo Activos Financeiros (ESAF) deu pelo imóvel à Demagre, na mesma hora em que esta empresa o comprou aos CTT, por 15 milhões de euros.
A Demagre garantiu, desde logo, um contrato de arrendamento com os próprios CTT, de 20 anos. A administração dos Correios, presidida por Carlos Horta e Costa, decidiu manter serviços numa área de rés-do-chão, com cinco mil metros quadrados, despendendo 55 mil euros por mês.
A propósito, refira-se que a venda do imóvel foi justificada pela necessidade de retirar dali o centro de tratamento de correspondência, tendo os CTT, para o efeito, arrendado outro edifício, à construtora Bascol, na periferia da cidade, em Taveiro. O JN tem a informação de que o preço desta renda ainda é mais alto do que aquele que ficou a pagar no seu antigo edifício. Porém, a actual administração dos Correios, presidida por Estanislau Mata Costa, recusou-se a revelar aquele valor...
A Demagre também garantiu à ESAF um contrato de arrendamento com o Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça, para instalação do Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra, por 22.200 euros mensais, com actualizações anuais. O contrato era de cinco anos, mas o tribunal ainda lá está, tal como a Associação de Informática da Região Centro, cuja renda, de cerca de 23 mil euros mensais, é paga pela Câmara de Coimbra.
A renda mais elevada, de 136 mil euros, foi assinado pela Associação Fernão Mendes Pinto, uma IPSS que garantiu financiamento público, através de protocolos firmados com a Administração Regional de Saúde do Centro.
O antigo edifício dos CTT foi vendido pelo valor que lhe tinha sido atribuído por uma avaliação feita três anos antes e com um desconto de 15%. Um ano após a transacção, a ESAF declarou, à Comissão de Mercados de Valores Mobiliários, que o imóvel valia 28 milhões de euros.
