Os três suspeitos de escravizarem um casal em Alfandega da Fé, duas mulheres e um homem, detidos quarta-feira pela Polícia Judiciária, no Porto, ficam em liberdade a aguardar julgamento por decisão do tribunal judicial daquela cidade transmontana, onde foram ouvidos durante todo o dia de quinta-feira.
O juiz decidiu pela medidas de coação mais leve. Os arguidos ficam sujeitos a termo de identidade e residência, que já cumpriam por processos anteriores, e dois deles estão ainda obrigados a apresentações periódicas no posto da GNR.
Os detidos, com idades compreendidas entre os 53 e os 58 anos já tinham antecedentes criminais pela prática de crimes semelhantes.
A PJ, através da Diretoria do Norte, procedeu na quarta-feira à identificação e detenção das três pessoas pela presumível autoria de crimes de tráfico de pessoas para fins de exploração laboral, sequestro e escravidão, perpetrados em território nacional e no estrangeiro, pelo menos ao longo dos últimos vinte anos.
Segundo divulgou esta força policial os arguidos usavam um "modus operandi" muito específico deste tipo de ilícitos, "mais uma vez se constatou que as vítimas, apresentando invariavelmente evidentes fragilidades cognitivas, psicológicas e até de ordem física, são normalmente aliciadas sob promessa da constituição de relações de trabalho que não chegam nunca a concretizar-se, resultando outrossim na submissão das mesmas a um regime de verdadeira exploração esclavagista".
O casal, António Manuel, com uma deficiência grave numa mão, e Maria de Fátima, viveu escravizado vários anos na Quinta da Regada, na aldeia de Valverde, em Alfândega da Fé, situação em que se manteve até agosto último, quando as vítimas conseguiram fugir com a ajuda de um filho, emigrado na Suíça.
A PJ apurou também que uma das vitimas era beneficiária de uma pensão de reforma, da qual foi consecutivamente desapossada do valor da mesma por parte de um dos detidos.
