
Vinte anos de cadeia foi a pena decretada, esta sexta-feira, pelo tribunal de júri, em Anadia, ao pai da juíza, da Mamarrosa (Oliveira do Bairro), que assassinou a tiro o ex-genro enquanto segurava a neta ao colo, no dia 5 de fevereiro de 2011.
O advogado de defesa, Celso Cruzeiro, vai recorrer de sentença. Até nova decisão judicial, o engenheiro António Ferreira da Silva, de 65 anos, pai da magistrada Ana Joaquina, vai permanecer em prisão preventiva, por perigo de fuga. Até então, o engenheiro esteve em prisão domiciliária, com pulseira eletrónica, na companhia da sua neta, filha da vítima mortal.
Recorde-se que Cláudio Rio Mendes, de 35 anos, antigo advogado da Câmara Municipal do Porto, foi abatido a tiro, no Parque do Rio Novo, na Mamarrosa, no decorrer de uma visita que fazia à sua filha - na altura com apenas três anos de idade -, por determinação do Tribunal de Família e Menores de Aveiro.
O homicida confesso, após discussão com a vítima, disparou seis tiros no corpo de Cláudio, cinco dos quais quando este já se encontrava em fuga, conforme se vê num vídeo gravado por telemóvel.
O falecido encontrava-se desarmado, mas Ferreira da Silva, a família e os seus amigos insistiram, durante os 27 dias de julgamento, que o ex-companheiro de Ana Joaquina, no decorrer da discussão, terá metido a mão ao bolso para sacar uma arma, o que motivou os disparos do arguido, em "legítima defesa". O que é certo é que essa arma, conforme foi repetidamente demonstrado em tribunal, nunca existiu.
A namorada de Cláudio, Maria Conceição, que presenciou o crime na companhia da sua sobrinha (foi esta que gravou o momento dos disparos), encontrava-se grávida e acabou por perder o bebé.
