"Hoje já deu para sorrir", diz a mãe de Rui Pedro

"Hoje já deu para sorrir", diz a mãe de Rui Pedro

É o primeiro sorriso que esboça em 15 anos de dor e sofrimento. Filomena Teixeira, a mãe-coragem de Lousada, diz que a condenação de Afonso Dias a três anos e meio de cadeia é uma luz ao fundo do túnel.

O ideal era saber o que aconteceu, no dia 4 de março de 1998, fez ontem 15 anos, ao Rui Pedro, mas a decisão, conhecida, segunda-feira, do Tribunal da Relação do Porto, que condenou pelo crime de rapto Afonso Dias, é uma vitória para a família.

"Já é um princípio, o início de alguma coisa. Já estamos a ver alguma luz no fundo do túnel, uma esperança. Hoje deu para sorrir. Era o que eu esperava", disse ao JN Filomena Teixeira.

Para Manuel Mendonça, pai de Rui Pedro, agora não é momento para baixar os braços. "Vamos continuar a lutar para saber o que aconteceu ao Rui Pedro. Vamos agora ter mais tempo para o procurar, saber se está vivo ou morto. Só vamos parar a luta quando soubermos a verdade. Esta decisão deu-nos esperança", explicou.

A família espera agora que Afonso Dias explique o que aconteceu depois de ter levado Rui, de 11 anos, a uma prostituta, até porque o Tribunal da Relação do Porto deu como provado que foi o arguido que levou o menor "às putas".

Ao contrário dos juízes de Lousada, que desvalorizaram o testemunho da prostituta Alcina Dias (por ela ter identificado Afonso como sendo o adulto que levou a criança apenas durante o julgamento, e nunca durante o inquérito), o coletivo da Relação do Porto acreditou que foi possível "estabelecer um juízo de certeza acerca do levar do menor pelo Afonso Dias à presença de Alcina Dias para ter relações sexuais".

Outro ponto de desacordo entre o coletivo de Lousada e a Relação do Porto foram os últimos passos de Rui Pedro, antes de desaparecer. O primeiro acórdão (em que a questão das horas e minutos foi descrita com pormenor) alegava que Filomena Teixeira tinha sido a última pessoa a ver Rui Pedro, pouco depois das 15 horas, excluindo assim o rapto, momentos antes dessa hora, pelo Afonso. Mas, para a Relação, "esse estabelecimento de horas exatas baseia-se(...) , em grande parte, não em elementos objetivos, mas em meros raciocínios de natureza especulativa...que acabam por desembocar num encadeamento ilógico dos acontecimentos".

Concluíram que "Afonso Dias e o menor tiveram uma conversa inicial, após que o Rui foi falar com a mãe, e a seguir encontrou-se com o arguido num campo de Lousada, deixou a bicicleta, entrou no carro e saíram ambos dali".

Para Ricardo Sá Fernandes, esta condenação mostra que a justiça funciona: "Foi um dia importante para o Rui Pedro. A memória dele merece que continuemos à procura de saber o que lhe aconteceu".