
Estudantes na manifestação de Braga
HUGO DELGADO/LUSA
Alunos de várias escolas de todo o país manifestaram-se, esta quinta-feira de manhã, contra os cortes de verbas no ensino básico e secundário e em defesa de "um futuro melhor".
Em Lisboa os alunos concentraram-se em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa. A ideia do protesto partiu da associação de estudantes da Escola Secundária Santa Maria, em Sintra, que decidiu organizar uma manifestação a nível nacional contra o corte de cerca de 704 milhões de euros no ensino básico e secundário previsto na proposta de Orçamento de Estado para 2015, conhecida na semana passada.
"Em outras zonas do país, os alunos estão a manifestar-se em frente das suas escolas mas nós, aqui em Lisboa, decidimos vir para a porta do ministério", contou à Lusa Maria Almeida, aluna do 10.º ano de Humanidades da escola António Damásio.
Em Lisboa, também os alunos do Liceu Camões e das escolas D. Pedro V, António Arroio, Gil Vicente, Luísa de Gusmão, D. Dinis e Pedro Nunes aderiram ao protesto, que começou na Praça do Saldanha e seguiu para a frente do ministério, na Avenida 5 de Outubro.
Já no Porto, centenas de alunos seis escolas manifestaram-se também a pedir a demissão do Governo, criticando o desinvestimento constante na escola pública, que tem criado "turmas ilegais" quando "continua a existir dinheiro para a banca".
"Queremos melhorar as condições de estudo e lutar por uma escola pública gratuita e de qualidade. Estamos contra o desinvestimento e os cortes que se têm vindo a acumular e que fizeram com que tivéssemos turmas ilegais, com mais de 30 alunos, e falta de funcionários", disse à Lusa Inês Miranda, de 17 anos, da Escola Secundária Almeida Garret, em Gaia, na concentração junto à estação da Trindade.
Antes de iniciar a deslocação para a Direção Regional de Educação do Norte (DREN), a estudante alertou para o corte "de 700 milhões de euros no próximo Orçamento de Estado", explicando que um dos objetivos da manifestação é, também, "criar uma consciencialização" relativamente aos problemas da escola pública e "fazer com que os alunos cada vez mais saiam a rua a reivindicar aquilo a que tem direito".
De acordo com Inês Miranda, participaram no protesto do Porto estudantes das Escola Secundária (ES) Almeida Garret e Oliveira do Douro, de Gaia, e das escolas secundárias Fontes Pereira de Melo, Carolina Michaelis, Rodrigues de Freitas e a Artística Soares dos Reis.
Na escola D. Maria II, o dirigente da associação de estudantes, Pedro Alves, fala de fissuras e "muita humidade", após cinco anos de terem sido realizadas obras de requalificação naquele edifício.
A manifestação teve início no Largo da Senhora-a-Branca, pelas 8.30 horas, e terminou junto à Câmara de Braga, onde os estudantes leram uma moção de protesto. Pelo caminho, os manifestantes foram gritando frases de ordem como "os alunos dizem não aos cortes na Educação" e "está na hora do governo ir embora".
