Perante a morte, por suicídio, de um irmão gémeo, "o sobrevivente deve ter apoio psicológico imediatamente. No extremo, poderá fazer o mesmo que o irmão", alerta a psicóloga clínica Ana Queiroz.
Vários estudos demonstraram já que os gémeos têm uma interacção especial e distinta dos irmãos com idades diferentes, sublinha, por sua vez, a pedopsiquiatra Vânia Miranda.
Por motivos de ordem genética e educacional, os gémeos têm uma ligação mais forte, mas "não necessariamente positiva". Ana Queiroz explica que "um é o dominador e o outro é o dominado". Uma vez sujeitos a comparações, é frequente que um seja o modelo e o outro seja aquele que fica para trás e tem que o atingir. "Há casos de crianças que ficaram com graves doenças psiquiátricas por terem sido as preteridas em relação ao irmão gémeo", acrescenta.
No caso de um luto, o processo é muito "individual e variável", sublinha Vânia Miranda. Mas, superar um alegado suicídio presenciado pelo próprio irmão gémeo é uma situação muito particular e pode levar vários anos. "A recuperação depende muito da forma como o seu tratamento for conduzido", continua Ana Queiroz.
Ambas as especialistas afirmam que uma criança que é vítima de 'bullying' tem sintomas claros e que poderão ter sido desvalorizados se terminaram numa morte. "Uma ameaça de suicídio é sempre um pedido de ajuda", alerta a pedopsiquiatra. "Havendo antecedentes, tanto os pais como a escola têm que agir sob pena de serem negligentes", acrescenta Ana Queiroz.
