Movimento dos Utentes preocupado com proposta de encerramento de várias urgências

O dirigente do Movimento do Utentes de Serviços Públicos disse estar preocupado com a proposta de encerramento de 16 urgências básicas, considerando que isso penalizará dramaticamente os portugueses, por aumentar as dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
"Estas notícias que apontam para o encerramento de 12 serviços de urgência [16 segundo dados do JN] em outras tantas cidades, manifestamos as nossas preocupações, tendo em consideração as dificuldades que são sentidas por muitos milhares de cidadãos em ter acesso aos cuidados de saúde", disse à agência Lusa Carlos Braga.
Para este responsável, a medida proposta pela Comissão para a Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência "penaliza grave e drasticamente os direitos dos portugueses", que já estão a ser afetados "devido ao facto de a sua situação económica e social ser muito débil e também pelo aumento das taxas moderadoras e [redução] da comparticipação nos medicamentos".
Vários jornais avançaram hoje que a comissão para a reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência propôs ao Governo o encerramento das urgências de Fafe, Macedo de Cavaleiros, Oliveira de Azeméis, Santo Tirso, Valongo, Lagos, Loulé, Montemor-o-Novo, Montijo, Peniche, Serpa e Tomar.
Num relatório de fevereiro deste ano, a comissão propõe também a criação de urgências em Coruche e Sertã, passando a somar 73 urgências no país, ou seja, menos 10 do que atualmente.
"Se esta proposta vier a ser aceite pelo Governo, irão aumentar substancialmente as dificuldades, vão-se isolar populações em certas zonas do país, porque, em algumas, há também muitas dificuldades de transportes e as pessoas, nalguns casos, têm idades muito avançadas", avisou Carlos Braga.
Para o representando dos utentes, esta proposta tem "muito poucos critérios justos", tendo antes como "objetivo principal uma medida economicista".
Prometendo analisar melhor a proposta, Carlos Braga avisou ainda que quer "incentivar as populações dessas zonas para que manifestam o seu desagrado e oposição em relação a estas medidas".
