O Conselho de Redação do Público apresentou, esta terça-feira, um "voto de desconfiança" à direção editorial do jornal, tendo esta reagido com a acusação de que o CR "perdeu a noção dos limites".
"É hoje evidente que a presente equipa diretiva não será capaz de mobilizar a redação para os difíceis desafios que se colocam ao jornal. Convicto de que nenhuma solução motivadora poderá passar pela atual liderança, o CR propõe um voto de desconfiança a esta direção editorial", pode ler-se no texto da moção, que estará em votação pelos jornalistas do Público até às 20 horas desta terça-feira.
Por seu lado, a direção editorial enviou um comunicado aos jornalistas no qual referiu que a figura da "moção de desconfiança" não existe nem em termos legais nem no livro de estilo e acrescentou que o "CR perdeu a noção dos limites", numa estratégia de "terra queimada".
"Como em causa está um exercício provocatório e gratuito, a direção editorial afirma que dele não retirará nenhuma consequência nem dele fará nenhuma leitura", explicou o comunicado da equipa de direção, realçando que a "nomeação ou retirada de confiança em cargos de direção são da exclusiva responsabilidade do acionista".
Os trabalhadores do jornal Público vão estar em greve dia 19 de outubro, anunciou na semana passada o Sindicato de Jornalistas. A paralisação foi decidida em plenário dos trabalhadores do jornal detido pela Sonaecom como "forma de luta contra a intenção da empresa de proceder ao despedimento coletivo, abrangendo 48 trabalhadores", medida que "o Sindicato de Jornalistas repudiou imediatamente", referiu aquele órgão em comunicado.
"Para lá da injustiça que representaria para os trabalhadores, este despedimento coletivo comprometerá irreversivelmente a continuidade do Público como um jornal de referência", alertaram os membros do CR, para quem o jornal nos últimos anos se tem afastado da sua "matriz original".
A direção editorial reafirmou que o CR está a efetuar uma "campanha de desestabilização" e rejeitou os fundamentos da moção apresentada, dizendo que "tudo fez para ajustar a procura do equilíbrio financeiro da empresa com as necessidades do jornal e com o interesse do maior número de trabalhadores possível".
"A direção editorial continua a acreditar que a redação do Público é um espaço de liberdade no qual os seus jornalistas e trabalhadores sempre souberam movimentar-se com o devido sentido de responsabilidade", considerou a direção. Dois dos membros do CR abstiveram-se de votar a moção por fazerem parte da lista de despedimentos, tendo um deles, inclusive, apresentado a demissão daquela estrutura.
