Tem medo de andar de avião, mas construiu de raiz um protótipo de helicóptero capaz de ser completamente encartado e transportado numa pequena carrinha. É o sonho de uma vida.
Desde criança que José Oliveira se sente fascinado pelos aviões. Na adolescência passava horas a fio a sonhar com aquelas pesadas máquinas capazes de se sustentarem no ar transportando centenas de pessoas de um lado para o outro.
Nem o medo de andar de avião, que confessa sentir, foi suficiente para travar uma das mais antigas aspirações: construir uma máquina capaz de rasgar os céus. A tarefa não foi fácil e só ao fim de muitos anos de experiência a exercer a profissão como serralheiro de metalomecânica conseguiu apurar a arte e engenho suficientes para se lançar no maior desafio da sua vida: construir, peça por peça, um protótipo de helicóptero, que se encontra em fase final de testes.
Teve o primeiro contacto com helicópteros em 1974, na Guiné, quando cumpriu o serviço militar como auxiliar de manutenção destas aeronaves e ali aprendeu mais alguns dos "segredos". Mas foi na experiência do dia-a-dia que este autodidacta conseguiu recolher a necessária aprendizagem para construir o helicóptero.
"Construir um protótipo é muito difícil, porque não há outro igual", refere José Oliveira, lembrando que o seu projecto começou em 2001 e obrigou, até ao momento, à construção de três protótipos. Os problemas técnicos mais difíceis de ultrapassar chegaram com a construção do designado giroscópio, eixo central sobre o qual giram as pás. Mas depois de muitas tentativas frustradas e de muita persistência foi possível criar num helicóptero com 2,5 metros de altura e um peso total, já com combustível, de 275 quilos. E com a particularidade de poder ser encartado, não excedendo os 1,60 metros de altura, por três de cumprimento e 90 centímetros de largura.
Este sonho, que continua a ser alvo de melhorias constantes, tem vindo a ser concretizado com "muito sacrifício pessoal"."Tenho que trabalhar diariamente para garantir a sobrevivência e como não conto com apoio de qualquer entidade não tenho o tempo que gostaria para dedicar-me ao projecto", refere José Oliveira.
Com o helicóptero em fase de testes finais, procura-se um piloto habilitado para o voo inaugural. "Se calhar vai ser com este helicóptero que vou perder o medo de voar", graceja. Na mente deste torneiro-mecânico, que conta com outras invenções, como um mini-submarino, fervilha a concretização de outros projectos ambiciosos.
Um deles, que parece uma autêntica utopia, passa por construir um motor impulsionado a água. "É possível", garante José Oliveira.
