Uma forte onda varreu pai e filho dum molhe na Galiza. O filho foi resgatado das águas geladas, mas o pai continua por encontrar. Em Penha Longa, a terra natal, as esperanças são poucas e já se pede que, pelo menos, apareça o corpo.
David Leitão, 41 anos, e Marco André Leitão, 20 anos - pai e filho - encontravam-se ontem, pelas 9 horas, a trabalhar numa estrutura de segurança no Porto de Malpica, na Galiza, quando uma forte vaga galgou os 15 metros de altura do paredão e os arrastou para o mar revolto.
Apesar das águas geladas e da forte ondulação, Marco André conseguiu nadar até terra. O pai não teve a mesma sorte. As forças de salvamento, alertadas por um popular que presenciou o acidente, chegaram prontamente e ainda terão conseguido avistar David por um breve momento, mas perderam-no de vista.
Marco André foi levado de ambulância para o Complexo Hospitalar Universitário de A Counha. Fonte do hospital afirmou, à agência Lusa, que o português "sofreu golpes e contusões e tinha um sintoma ligeiro de hipotermia", mantendo-se em observações.
Durante todo o dia, foi desencadeada uma operação de salvamento que envolveu embarcações da Cruz Vermelha e do Salvamento Marítimo bem como equipas da Protecção Civil de Malpica, do Serviço de Costas, da Guarda Civil e da Polícia local. No entanto, as buscas foram infrutíferas e as esperanças eram ténues.
O presidente da autarquia de Malpica considerou que a situação do mar tornava "impossível" encontrar com vida o português desaparecido. Também as autoridades de salvamento não acalentavam grandes esperanças. "A situação do mar está muito complicada. Tivemos informações de que o segundo operário foi visto, mas as ondas estão muito fortes", disse fonte do Salvamento Marítimo.
Ontem, a região da Galiza esteve num estado de alerta laranja em toda a sua costa, com ondas de seis metros e vento no mar, sobretudo ao norte de Finisterra. O presidente da empresa espanhola encarregada da obra, Guillermo Beceiro, afirmou que estavam avisados mas que se esperava que o temporal apenas chegasse durante a tarde.
Em Penha Longa, Marco de Canaveses, o ambiente na casa do desaparecido era tenso e a tristeza e consternação pairavam no ar. A mulher e a filha de David Leitão preferiram escudar-se no sossego do interior da habitação enquanto esperavam por mais notícias. No exterior, outros familiares e amigos não escondiam a tristeza. Apesar de Marco André estar a salvo, o não aparecimento de David pairava na sua cabeça e a esperança num final feliz era já pouca.
"É uma tragédia, porque as coisas lhes estavam a correr muito bem", disse ao JN Fernando, o cunhado do desaparecido. "Depois de tanto tempo, a esperança já não é muita, mas a minha irmã recusa-se a acreditar. O que eu peço é que, se não for possível com vida, ao menos que apareça o corpo para nos despedirmos dele", completou.
David já tinha passado uns tempos a trabalhar em Espanha, mas regressou a Portugal. Como o trabalho não aparecia na terra, decidiu novamente cruzar a fronteira, levando desta vez consigo o filho, que abandonou a empresa de alumínios onde trabalhava.
Pouco tempo antes do JN chegar a Penha Longa, os patrões de David e Marco André, que tinham ido prestar o apoio possível à família, partiram para a Corunha, levando alguma roupa para o sobrevivente. De acordo com a empresa Panicorfel, de Viana do Castelo, pai e filho trabalhavam desde Janeiro naquela obra a cargo da empresa e eram "trabalhadores competentes e todos gostavam muito deles".
