
O Papa Francisco, que é entronizado esta terça-feira, no Vaticano, quebrou uma vez mais o protocolo, agora ao beijar a presidente argentina, Cristina Kirchner, durante uma audiência em Roma.
Jorge Mario Bergoglio tem furado várias vezes o protocolo desde que foi escolhido para suceder a Bento XVI no Vaticano, do abraço aos fiéis, à simplicidade das vestes e dos atos, como o de pagar a conta do hotel. Agora, o ex-cardeal de Buenos Aires foi afetuoso com a presidente do país de nascimento, a Argentina, para lá do esperado.
"Nunca um papa me tinha beijado", disse Cristina Kirchner, a primeira presidente a ser recebida pelo Papa Francisco, que é entronizado no cargo esta terça-feira.
O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, explicou o encontro como "um gesto de cortesia e afeto" em relação à Presidente e ao povo argentinos, país de origem do papa.
O porta-voz sublinhou que não se trata de uma visita formal ou de Estado, apenas de um gesto de cortesia e de carinho em relação à terra argentina.
A presidente argentina disse que pediu ao papa Francisco, seu compatriota, para interceder em favor do diálogo no conflito sobre a soberania das ilhas Falkland/Malvinas que opõe a Argentina ao Reino Unido.
"Pedi-lhe a sua mediação para conseguir um diálogo entre as duas partes", disse Kirchner à imprensa depois de um encontro e um almoço em Roma com o novo líder da Igreja Católica, o ex-arcebispo de Buenos Aires Jorge Mario Bergoglio.
A presidente argentina evocou, a título de exemplo, o papel de mediação exercido pelo papa João Paulo II no conflito territorial entre o Chile e a Argentina.
Kirchner disse, por outro lado, ter encontrado o papa Francisco "sereno, seguro, tranquilo e em paz", mas também "ocupado e preocupado com a enorme tarefa de dirigir o Estado Vaticano e de mudar as coisas que sabe que tem de mudar".
A presidente adiantou que convidou o papa a visitar a Argentina, num sinal de que parece ultrapassada a frieza que marcou a relação do ex-Cardeal de Buenos Aires com a presidência dos Kirchner, primeiro Nestor, entretanto falecido, e agora a viúva Cristina.
O antigo Presidente da Argentina e marido de Cristina, Nestor Kirchner, apelidava Bergoglio de "verdadeiro líder da oposição" devido aos alegados encontros do cardeal com líderes políticos.
A relação entre o papa Francisco, até 13 de março arcebispo de Buenos Aires, e os Kirchner foi bastante tensa nos últimos anos, sobretudo depois de terem sido aprovadas as leis de despenalização do aborto e de legalização do casamento homossexual.
