
A Subcomissão de Trabalhadores da RTP-Porto afirmou, esta sexta-feira, que a produção em Lisboa do programa "Praça da Alegria" vai ser feita por equipas externas à empresa, considerando que este facto "carece" de justificação junto dos contribuintes.
A Subcomissão de Trabalhadores da RTP-Porto considera que esta situação "torna-se preocupante para todos e carece de uma muito boa justificação juntos dos exaustos e exauridos contribuintes", num comunicado enviado à Agência Lusa.
"A decisão de centralizar em Lisboa a produção da Praça da Alegria, que começou por ser justificada com critérios de gestão de recursos, logo abandonados pelas evidências de uma produção incrivelmente barata e altamente rentável à RTP (...), está baseada em pressupostos que continuam a não convencer ninguém", afirma.
No comunicado, divulgado no dia em que o programa televisivo é produzido pela última vez no Centro de Produção Norte (CPN) da RTP ao fim de 28 anos, os trabalhadores adiantam que se confirmaram, assim, os seus receios. Contudo, afirmam "crer" que "as 13.00 horas desta sexta-feira marcam o início de um intervalo em metade da história da televisão em Portugal".
A Subcomissão de Trabalhadores refere esperar que "aconteça a possibilidade, aberta pelo Conselho de Administração da RTP na reunião que teve no dia 4, de uma reavaliação racional do processo".
Para os trabalhadores do Centro de Produção do Norte da RTP, a transferência da "Praça da Alegria" para Lisboa "não significa só o efetivo silenciamento de metade do país real na televisão generalista portuguesa de entretenimento".
"Significa abalar também um dos seus quatro pilares fundamentais de funcionamento, que afetam diretamente os seus postos de trabalho e os milhares de postos de trabalho indiretos que têm gerado na economia regional e nacional do audiovisual: os programas da manhã, o Jornal da Tarde, a RTP N (transformada entretanto em RTP Informação e transferida a sua direção também para Lisboa) e a rádio pública", sustentam.
Adiantando que garantir a produção integral para a RTP2 "é um projeto que tem tudo para vencer" no Centro de Produção do Norte da RTP, os trabalhadores defendem, contudo, "uma clara e efetiva autonomia de gestão financeira e de coordenação do canal a partir do Porto".
"O telecomando macrocéfalo e recentralizador que parece estar, aos poucos, a querer (re)estabelecer-se (numa lógica a que, infelizmente, já estamos habituados), não faz qualquer sentido e inquina todas as possibilidades de sucesso futuro do projeto", sublinham.
Para os trabalhadores, "pode mesmo constitui-lo em logro", algo a que "a RTP não se pode dar ao luxo".
