Sociedade

Há mais de 200 videojogos 'made in' Portugal

Há mais de 200 videojogos 'made in' Portugal

É uma indústria que dá pouco nas vistas em Portugal, apesar de nos últimos 30 anos terem sido criados mais de 200 títulos. A maioria não chegou ao grande público e a falta de investimento - numa área que rende milhões no estrangeiro - leva a que muitos talentos saiam do país.

"Vou a conferências onde as pessoas nunca ouviram falar de nenhum videojogo português", diz Nelson Zagalo, presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências dos Videojogos e professor na Universidade do Minho.

Zagalo está a escrever o primeiro livro sobre a história dos videojogos em Portugal - "História, Tecnologia e Arte dos Videojogos em Portugal", que deverá sair no final deste ano - onde procura reunir todo o passado criativo nesta área.

"Existe muita coisa feita em Portugal. Atravessámos quase todas as plataformas e sistemas, sempre com pessoas a criar", salienta. O trabalho não fácil. "Na maior parte das vezes, os nomes das equipas e dos jogos estão em inglês e não há qualquer menção a Portugal", afirma o especialista.

Apesar da garra dos que deram os primeiros passos - como José Oliveira, que criou o que se supõe ser o primeiro videojogo luso em 1982, numa ZX81 -, a falta de comunicação ditou três décadas de trabalhos sem continuidade. "Os projetos foram sendo feitos pontualmente e depois as pessoas iam trabalhar para outra área ou para o estrangeiro." Paulo Carrasco e Rui Tito são dois exemplos. Em 1984, criaram "Megatron", "Moon Defenders" e "Mr. Gulp" - que venderam à Wizard Software - e em 1987 "Alien Evolution", que foi um sucesso. Contudo, só voltariam a criar jogos muitos anos mais tarde.

Dos cerca de 225 jogos reunidos pelo docente, 80 foram produzidos em 2010 e 2011. O "facto de a distribuição digital ter mudado o paradigma do acesso aos mercados" é um dos motivos a justificar o aumento.

Entre os títulos lançados em 2011 encontra-se "Under Siege", produzido pela Seed Studios, que foi o primeiro jogo criado em Portugal para a Playstation 3. E a estreia foi um êxito. O título criado nos estúdios do Porto entrou para o Top 10 dos jogos independentes mais vendidos para esta consola.

Em Portugal, o número de empresas de jogos não chega às quatro dezenas. O tempo que demora criar um jogo e a obrigatoriedade de pagar impostos assim que se cria uma empresa é um travão ao empreendedorismo, numa área em que "a maioria das empresas tem uma taxa de exportação de 90 ou 95%."