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Projeto português quer trocar garrafas vazias por dinheiro

Projeto português quer trocar garrafas vazias por dinheiro

Daniel Gomes quer acabar com o desperdício das garrafas em Portugal. A iniciativa, Tara Recuperável, baseia-se em conceitos ecológicos aplicados em vários países da Europa, onde é permitido trocar garrafas por dinheiro. Depois de angariar os apoios necessários, Daniel quer apresentar a ideia ao Parlamento.

Depois de uma visita a Alemanha, Daniel Gomes apercebeu-se que a maioria das embalagens das bebidas tinha tara recuperável. Em resultado, as ruas estavam limpas e verificava-se uma maior preocupação dos cidadãos pelo meio ambiente.

De forma a tentar introduzir a mesma política em Portugal, Daniel publicou um manifesto na internet, apresentando os benefícios de uma lei que "imponha a existência de vasilhame para as garrafas de todos os materiais, incluindo o plástico que polui gravemente o mar e zonas costeiras".

O responsável pelo projeto diz que ainda é "muito cedo" para angariar assinaturas. "Primeiro despertam-se as consciências, depois ganham-se apoios e só depois é que se pode levar uma ideia ao Parlamento", conta, ao JN, Daniel Gomes.

Em Portugal, "há cerca de 30 anos", a maior parte das embalagens de vidro" tinha tara recuperável, "existindo uma rede de recuperação do valor das taras, recolha e reciclagem de vidro montada à escala nacional". No entanto, "talvez devido a um comodismo insensível a impactos ambientais", o modelo foi praticamente abandonado.

O movimento Tara Recuperável visa reativar a ideia da existência de taras para as embalagens de vidro e estender a embalagens fabricadas noutros materiais.

Atualmente, existem 23 países com leis de tara recuperável, sendo que 12 são europeus. Na Noruega, na Suécia e noutros países do norte, onde o sistema foi implementado nos anos 80, o retorno de latas e garrafas já ultrapassa os 90%.

Em Portugal, ainda não foram encontrados quaisquer "obstáculos concretos além da falta de legislação". Contudo, "é de prever uma oposição dos produtores de garrafas".

Segundo Daniel Gomes, esta iniciativa pode ajudar o país a contornar a atual situação de crise.

"A atribuição direta de um valor monetário às embalagens faz com que estas deixem de ser consideradas lixo e passem a ter valor comercial, potenciando várias atividades económicas", explica.

A nível empresarial, "poderiam ser criadas novas empresas que recolheriam embalagens para reciclagem juntos dos comerciantes" tal como acontece atualmente com a coleta de óleos alimentares. Poderiam também ser criadas empresas para recolher as embalagens espalhadas pelo chão de forma a recuperar o valor das taras

É de salientar que o valor monetário envolvido na recuperação das taras "pode ser significativo se considerarmos por exemplo, o volume de embalagens utilizadas em eventos musicais, desportivos ou zonas de divertimento noturno", afirma Daniel Gomes.

O volume de lixo limpo por voluntários deixaria de ser "meramente simbólico" e ganhariam um "novo fôlego como uma atividade económica autosustentável".

Para além disso, os fabricantes de bebidas poderiam também "melhorar a imagem das marcas ao reduzir a pegada ecológica causada pelas suas atividades". Embora os distribuidores não sejam responsabilizados pelos comportamentos dos clientes, a imagem das suas marcas acaba por ficar associada à poluição.

Uma vez que "toda a gente se preocupa com o dinheiro", a Tara Recuperável adoptaria o principio de pagador-poluidor. Assim, quem optasse por não reciclar as embalagens, perderia o respetivo valor das taras que, contudo, poderia ser recuperado por terceiros que entregassem as embalagens para reciclagem.

"Se as pessoas tiverem de pagar para poluir, existirão menos pessoas a fazê-lo. Por outro lado, quem recicla será economicamente recompensado", conta Daniel Gomes.

O responsável pelo projeto incentiva as empresas serem proativas, adotando "políticas de tara recuperável mesmo sem existir uma lei que o imponha", à semelhança do que foi feito com o pagamento dos sacos de plástico.

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