
Hospital de Braga
Global Imagens/Arquivo
As Associações de Esclerose Múltipla denunciaram, esta quarta-feira, que o Hospital de Braga está a receitar um único medicamento àqueles doentes, para poupar dinheiro, e receiam que a medida se estenda a outros hospitais do país.
Ouvidos na Comissão Parlamentar de Saúde, os representantes das associações de esclerose múltipla explicaram que para os doentes antigos, "mantém-se a prescrição do neurologista", seja qual for o medicamento.
"Para os novos doentes, só dois medicamentos estão autorizados e às vezes um desses é negado. O médico só pode passar o Betaferon. Em certas situações, devidamente justificadas, o médico pode prescrever um outro medicamento, o Capaxone, mas mesmo assim, às vezes, a administração não autoriza", afirmaram.
Os "novos doentes" são todos aqueles que foram diagnosticados após agosto de 2011, explicam, acrescentando que, por ano, surgem 300 novos casos de esclerose múltipla em todo o país, 18 dos quais só na região de Braga.
As associações sublinharam que "nem para todos os doentes é própria a mesma medicação", pois a eficácia do medicamento e a tolerância dos doentes variam de caso para caso.
Os responsáveis afirmam que esta medida foi adotada pelo Hospital de Braga por razões meramente economicistas e receiam agora que se estenda a outros hospitais do país, sobretudo depois de notícias que dão conta de que 19 hospitais do Norte se uniram para comprar medicamentos a preços mais competitivos.
Já em dezembro do ano passado, uma destas associações, a Associação Todos com a Esclerose Múltipla (TEM), tinha emitido um comunicado, no qual lançava ao Hospital de Braga esta acusação de receitar um único medicamento aos doentes.
Esta quarta-feira, as três associações (TEM, ANEM e SPEM) foram ouvidas sobre o mesmo tema na Comissão de Saúde, que decidiu organizar uma deslocação ao Hospital de Braga no prazo de 15 dias para falar com o presidente do conselho de administração daquela unidade hospitalar.
Na altura da primeira denúncia, o Hospital de Braga, ouvido pela Lusa, esclareceu que os doentes com esclerose múltipla são ali tratados "com terapêuticas aprovadas pelo Infarmed, adaptadas caso a caso, nomeadamente conforme as exacerbações e remissões da doença".
O Hospital alega que, "não obstante existirem outros medicamentos farmacologicamente equivalentes, o tratamento de primeira linha adotado é o Betaferon, o qual é internacionalmente indicado para esta patologia".
