
Entre os grandes projetos turísticos sauditas está o Amaala, que se estende por 68 quilómetros no deserto
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A Arábia Saudita está a reduzir significativamente projetos de turismo de luxo no Mar Vermelho.
A revelação foi avançada por várias fontes ouvidas pela agência AFP e aponta para um revés saudita na esperança de diversificar a economia.
As propriedades de luxo foram um dos projetos das ambiciosas reformas da chamada "Visão 2030" do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman para atrair turistas e investidores.
No entanto, os preços do petróleo ainda baixos e a falta de interesse dos clientes levaram a uma reavaliação do projeto.
A Red Sea Global (RSG), responsável pelo projeto, nega ter desistido das suas ambições de abrir 81 propriedades até 2030 e disse à AFP que o projeto continuará após a conclusão este ano de uma primeira fase de 27 complexos hoteleiros.
O objetivo é transformar aquela costa ainda virgem num destino de turismo de massas como as Maldivas.
Fontes familiarizadas com o assunto, falando sob condição de anonimato devido à sensibilidade do tema, disseram à AFP que o trabalho terminará no final deste ano, levando à perda de dezenas de empregos na RSG e centenas em empresas subcontratadas.
"Foi decidido cessar o trabalho na segunda fase do projeto", disse um executivo da RSG, empresa pertencente ao fundo soberano saudita. "Os custos operacionais atuais excedem as receitas, tornou-se insustentável", afirmou outra fonte.
Os projetos no Mar Vermelho incluem o Amaala, que deverá estender-se por 68 quilómetros e cobrir mais de 4000 quilómetros quadrados, com 29 complexos hoteleiros e um clube náutico.
Mais a sul, já existe um aeroporto internacional e estão previstos 50 estabelecimentos, alguns espalhados por três ilhas.
Em Riade, a capital, as obras foram suspensas no local de construção do Mukaab, um arranha-céus cúbico com 400 metros de altura.
Oficialmente, a RSG contestou estas alegações. "Tal como em qualquer desenvolvimento de grande escala e longo prazo de um destino, a Fase 2 será implementada de forma sequenciada", disse um responsável. "Vários projetos estão atualmente a ser desenhados, aprovados e estruturados comercialmente, que é exatamente a fase esperada nesta fase", indicou.
A Arábia Saudita está a debater-se com a queda nos preços do petróleo. A Aramco, a principal empresa da economia saudita, viu os seus lucros trimestrais caírem pela décima primeira vez consecutiva.
