
O discurso de François Hollande, esta segunda-feira, perante uma rara junção das duas câmaras do parlamento francês, é um dos acontecimentos do dia, após uma manhã de retaliação e buscas em toda a França e na Bélgica. Leia o que se sabe até ao momento dos ataques em vários pontos da cidade de Paris, em França.
"A França está em guerra", declarou François Hollande, mas "não numa guerra de civilizações porque aqueles assassinos não representam uma civilização". "A nossa democracia triunfou antes sobre adversários muito mais formidáveis do que estes cobardes", acrescentou.
Hollande afirmou ainda que vai estender o estado de emergência por três meses e que a Constituição francesa vai ter de ser revista, para enfrentar situações de crise. O presidente francês quer que os cidadãos com dupla nacionalidade possam perder a nacionalidade francesa e banidos do país, caso haja risco de terrorismo.
O presidente francês anunciou ainda que não fará cortes de efetivos, até 2019, nas forças armadas e que serão contratados cinco mil novos polícias. Hollande disse também que os orçamentos de defesa e das polícias serão reforçados.
A fechar o discurso, Hollande garantiu: "Os bárbaros não vão impedir-nos de viver como nós escolhemos viver. O terrorismo nunca irá destruir a República, porque a República irá destruir o terrorismo".
Pontos-chave de hoje
Manuel Valls afirmou, esta segunda-feira, saber que ameaça terrorista ainda continua. "Sabemos que há operações que foram preparadas e estão ainda a ser preparadas, não apenas contra a França mas contra outros países europeus também", afirmou o primeiro-ministro belga. Os ataques poderão chegar, segundo Valls, "nos próximos dias, nas próximas semanas".
Paralelamente, Hollande ordenou uma ofensiva militar na Síria, para atacar pontos nevrálgicos do Estado Islâmico em Raqqa.
Barack Obama pôs de parte a possibilidade de enviar tropas para a Síria para combater no terreno o Estado Islâmico. O presidente norte-americano disse que os seus conselheiros militares e civis garantem não ser uma solução adequada, e diz que a missão de bombardeamento que está a decorrer a gora vai ter sucesso.
As forças policiais aproveitam o estado de emergência decretado por François Hollande para fazer buscas e detenções em larga escala, por toda a França. Esta manhã, a polícia francesa lançou uma série de raides em várias zonas da França, que resultaram em vários detidos. Nas 168 operações de busca, foram detidas 23 pessoas e 1054 ficaram em prisão domiciliária. Foram apreendidas dezenas de armas.
As autoridades francesas estarão à procura de uma quarta célula terrorista, que terá ajudado Salah Abdeslam a fugir, noticia o "Libération". O terrorista, irmão de um dos bombistas suicidas, terá beneficiado de apoio logístico na fuga de Paris.
Um Volkswagen Golf cinzento, já referenciado pelas forças policiais terá sido usado no eixo que liga a capital francesa a Bruxelas, na Bélgica. Os ataques foram perpetrados por três grupos de terroristas, na sala de espetáculos Bataclan, em restaurantes e perto do estádio nacional.
Ao final da noite, a Imprensa francesa avançou que uma importante operação estava a decorrer numa zona residencial da rua de Prague, em Estrasburgo, no âmbito da investigação desta quarta célula terrorista, mas terminou por ter sido um falso alerta.
Sabe-se também que a Polícia francesa chegou a interpelar, junto à fronteira com a Bélgica, Salah Abdeslam, que seguia num carro com dois outros homens. As autoridades deixaram-nos seguir porque nenhum dos nomes estava ainda na lista dos procurados.
Foram identificados mais dois dos bombistas suicidas autores dos ataques em Paris, na sexta-feira. Tratam-se de Ahmad Al Mohammad e de Samy Amimour. Temos um perfil dos seis terroristas de Paris já identificados pela polícia.
A mãe do terrorista lusodescendente que se fez explodir no Baraclan também foi identificada: chama-se Lúcia Moreira e é natural de Póvoa de Lanhoso, Braga.
Há suspeitas de que Abdelhamid Abaaoud, um cidadão belga que estará na Síria, será o cérebro por detrás dos ataques. A informação não foi, no entanto, ainda confirmada oficialmente. Sabe-se que Abaaoud foi condenado a 20 anos de prisão, no início do ano, por ter sido considerado culpado de recrutar para o Estado Islâmico. Não estava presente no julgamento.
Durante a manhã desta segunda-feira, a polícia belga lançou uma operação de larga escala no subúrbio de Molenbeek, em Bruxelas. Chegou a avançar-se que Salah Abdeslam (irmão de Ibrahim Abdeslam, um dos bombistas que se mataram no Bataclan), e o homem mais procurado na França neste momento, por suspeitas de ligação aos atentados, havia sido detido. A informação foi desmentida, mais tarde, e Salah continua a monte.
O outro irmão Abdeslam, Mohammad, foi detido na Bélgica, mas hoje foi libertado sem qualquer acusação.
A mãe deles, disse hoje a um jornal belga que Ibrahim Abdeslam não quereria matar ninguém e explica a atitude do filho com o stress.
A par de diversas manifestações de solidariedade em Paris e no resto do Mundo, continuam a emergir testemunhos de pessoas que sobreviveram aos ataques. Mas as histórias mais trágicas, naturalmente, são as das vítimas que pereceram às mãos dos fundamentalistas.
Um espanhol chegou a ser dado oficialmente como uma das vítimas mortais, mas desmentiu no Facebook, já depois de a sua mãe ter sido avisada pela polícia.
O grupo de "hackers" Anonymous publicou um vídeo nas redes sociais em que promete "a maior operação jamais realizada" contra os jiadistas do grupo Estado Islâmico, na sequência dos ataques de sexta-feira em Paris.
Entretanto, a UEFA anunciou que o Europeu de futebol de 2016 vai realizar-se em França como previsto e nos termos anunciados, uma vez que, segundo o responsável máximo da organização, Jacques Lambert, a preparação para a eventualidade de ataque terrorista foi questão sempre tida em conta e a ser preparada.
