
Mais de mil pessoas morreram no último mês na República Centro-Africana, 752 dos quais só na capital, anunciou a Federação Internacional dos Direitos Humanos, que se manifestou "gravemente preocupada com o caos que reina" no país.
Num comunicado divulgado na quarta-feira à noite, a Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH), sediada em Paris, estima que desde o ataque de 5 de dezembro em Bangui, a violência intercomunitária na capital da República Centro-Africana (RCA) já resultou em 752 mortos e mais de 300 feridos.
Em todo o país, registaram-se mais de mil mortos e centenas de feridos, pessoas violadas e casas incendiadas, o que resultou na deslocação de um milhão de pessoas até agora, acrescenta o comunicado.
A 5 de dezembro, as milícias de autodefesa cristãs, denominadas como "Anti-balaka" e que até então atuavam sobretudo no oeste da RCA, lançaram uma ofensiva na capital Bangui contra posições da ex-rebelião Séléka e em bairros muçulmanos.
O ataque provocou represálias dos ex-rebeldes contra a população maioritariamente cristã de Bangui.
"O resultado destes ataques recentes é especialmente horrendo porque surge na sequência de muitos crimes - homicídios, raptos, violações, pilhagens - cometidos pelos elementos da Seleka desde o golpe de 24 de março de 2013. A população civil está completamente insegura. Teme-se o pior se a comunidade internacional não reagir" declarou Karim Lahidji, presidente da FIDH, citado no comunicado.
Missão das Nações Unidas urgente
A situação requer o envio urgente tropas internacionais adicionais para a RCA, defende a organização, que apela à União Africana para reforçar a missão internacional, liderada por África, de apoio à RCA (MISCA).
A FIDH insiste ainda na importância de estabelecer rapidamente uma operação de manutenção da paz das Nações Unidas no país.
Só uma missão desse tipo, escreve a FIDH, pode enviar os recursos humanos, logísticos e financeiros necessários para garantir a segurança da população em Bangui e em toda a RCA.
"O estabelecimento de uma missão de manutenção de paz da ONU permitiria, além de garantir a segurança da população, responder à crise com uma abordagem 'holística', incluindo o necessário apoio às instituições transitórias e à proteção dos direitos humanos, particularmente a luta contra a impunidade para a maioria dos crimes sérios" declarou Paul Nsapu, secretário-geral da FIDH.
A organização apela também à Comunidade Económica dos Estados da África Central, que tem hoje uma cimeira extraordinária em N'Djamena, e à União Africana, cuja cimeira está marcada para 21 a 31 de janeiro, que peça a transformação da MISCA numa missão das Nações Unidas logo que possível.
Com 4,5 milhões de habitantes, a República Centro-Africana, um país pobre, mas rico em recursos, mergulhou no caos desde o golpe de Estado de março passado organizado pela coligação rebelde Séléka que afastou do poder o Presidente François Bozizé.
A onda de violência na capital centro-africana começou quando as milícias 'anti-Balaka', partidárias de Bozizé, lançaram uma ofensiva com artilharia pesada.
O exército respondeu aos ataques com o apoio dos membros do grupo Séléka, que derrubaram Bozizé e declararam o líder do movimento, Michel Djotodia, como o novo Presidente do país.
Um total de 1600 soldados franceses e cerca de 4000 soldados de paz africanos estão a tentar restabelecer a ordem e restaurar a segurança na antiga colónia francesa.
