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Municípios fecham a torneira à rega e à lavagem de ruas

Arquivo Global Imagens

Escassez de água leva a medidas de poupança. Autarcas procuram fontes alternativas.

Os municípios já estão a avançar com medidas preventivas de poupança de água, cortando na rega dos jardins, diminuindo na lavagem de ruas, procurando fontes alternativas e apelando à população que evite desperdícios, numa altura em que o país se encontra quase todo em seca. O consumo humano está, por enquanto, assegurado.

A Câmara de Gaia diminuiu a rega dos jardins, enquanto aguarda o documento da Área Metropolitana do Porto (AMP) com outras medidas que ajudem a fazer face à situação. "Já demos indicações à divisão de Ambiente para atenuar o nível de rega", explicou o presidente Eduardo Vítor Rodrigues. Para o autarca, o país atravessa uma "verdadeira alteração estrutural", sendo necessárias medidas duradouras e não pontuais.

A AMP anunciou que vai elaborar um plano de ação com medidas concretas, ainda que não vinculativas, a adotar pelos municípios. Para o autarca da Feira, Emídio Sousa, a abordagem ao problema não se deve centrar apenas nas perdas e no aproveitamento de águas pluviais, mas também na substituição da vegetação em jardins e parques por espécies mais resistentes. A Feira está a fazer rega manual e reduziu a lavagem de arruamentos. Também Guimarães diminuiu a frequência das lavagens de ruas, praças e tanques públicos e fechou os sistemas de rega automática na cidade. Irá, ainda, reduzir o horário de funcionamento das fontes. Viana do Castelo está a regar só algumas plantas e com água de captação própria.

Na terça-feira, o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, avançou com um conjunto de medidas que incluem a interdição temporária da água da rede para usos não potáveis (como piscinas) e a avaliação da possibilidade de reduzir a pressão da água em alguns locais. Outros municípios garantiram ter reduzido a rega dos espaços verdes, como foi o caso de Paços de Ferreira, Anadia, Mangualde, Felgueiras, Caminha (também diminuiu lavagem de materiais e viaturas), Portalegre, Vila Nova de Cerveira, entre outros.

Muitos lançaram ou preparam campanhas de sensibilização. Viseu, por exemplo, apelou a que não se use água da rede pública para lavagem de carros e de varandas e para que se reduzam os tempos dos banhos e as capacidades dos autoclismos. Solicitou a redução do caudal e da pressão de água, regulando a torneira (válvula), a seguir ao contador.

De olho nas reservas

Os autarcas estão atentos às reservas. Em Viseu, as ensecadeiras da barragem de Fagilde foram ativadas no dia 4, três meses mais cedo do que o normal, para que seja armazenada mais água. Em 2017, foi necessário abastecer Viseu, Mangualde, Nelas e Penalva do Castelo com camiões cisterna.

Em Vila Nova de Paiva, a autarquia quer criar uma nova captação e reativar duas. Mangualde está a fazer um levantamento das captações e reservas desativadas. Caminha colocou, ontem, em funcionamento um furo em Venade e não descarta a possibilidade de abrir mais. Águeda começou, há anos, a usar uma captação alternativa, na Várzea, para a manutenção dos espaços verdes urbanos e da rede de incêndio.

O grupo Águas de Portugal (AdP), que abastece água a 80% da população do território continental, diz que "não se constatam, neste momento, situações de vulnerabilidade que impliquem a ativação de medidas extraordinárias".

Hidroelétricas

O ministro do Ambiente diz que a produção hidroelétrica baixou desde outubro, apesar do fecho de centrais a carvão.

Insuficiência

A Confederação dos Agricultores de Portugal diz que medidas "em cima do joelho nunca são suficientes".

Adaptação

O investigador Francisco Cordovil defende a adaptação da agricultura e da floresta à frequência de secas.

Reuniões regionais, mas sem "pressão" de medidas

O Governo vai realizar reuniões regionais, a começar no dia 23, no Algarve, para avaliar a necessidade de mais medidas devido à seca. A decisão foi tomada, ontem, num encontro que juntou o Ministério do Ambiente e a Associação Nacional de Municípios. Neste momento, o ministro Matos Fernandes diz que não há "essa pressão". As projeções meteorológicas "são mais favoráveis do que eram até há uma semana", por haver uma "forte expectativa" de que chova entre quinta e segunda-feira no litoral, no Centro e no Norte do país.

Evitar fugas

Póvoa de Lanhoso e Felgueiras são dois dos municípios que investiram em planos para controlar fugas nos sistemas. Felgueiras fez manutenções preventivas para evitar avarias.

Trocar relva

Guimarães vai continuar a substituir os relvados por prados de sequeiro, que não necessitam de tanta água.

Dessalinização

A AdP tem investido para aumentar a resiliência dos sistemas de abastecimento público. No Algarve, estuda a possibilidade de construir uma estação de tratamento de água por dessalinização.

Educar população

Margarida Belém, autarca de Arouca, considera a educação ambiental "fundamental" para a mudança de comportamentos.

Água nas aldeias

A presidente da Câmara de Portalegre, Fermelinda Carvalho, está preocupada com o abastecimento às aldeias rurais e a atividade agrícola. Em Viana do Castelo, as situações mais problemáticas estão a ser monitorizadas.

Apoiar agricultores

A Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo preparou um caderno de proposta para entregar ao Governo, com o objetivo de apoiar a agricultura e a pecuária.

*com a.S., A.L.D., A.P.F., E.P., M.R., R.D., M.F., F.P., s.R., S.F., J.R.F. e T.C.

Zulay Costa*