Guarda

Especialista em incêndios diz que não há descoordenação no fogo da Serra da Estrela 

O incêndio na Serra da Estrela deflagrou no passado dia 6 de agosto Miguel Pereira da Silva / GLOBAL IMAGENS

Há "bastante acerto nas decisões", diz Xavier Viegas. Seca, orografia e vento tornam difícil dominar as chamas.

O especialista em incêndios Xavier Viegas considera que não está a haver descoordenação no combate ao fogo que lavra na serra da Estrela desde o passado dia 6. O responsável, que coordenou diversos estudos sobre os fogos de 2017, realça que a seca que o país atravessa, a orografia e o vento têm dificultado o combate às chamas.

Para além da seca que o país atravessa, "o que se passa na Serra da Estrela é agravado pelas condições da orografia daquele território", que "acarreta problemas complexos", explica Xavier Viegas, que também integrou o Gabinete Técnico Independente. "Estes incêndios podem facilmente chegar a zonas de difícil acesso, onde não seja possível colocar meios que permitam controlar o incêndio", o que ajuda a explicar que haja reacendimentos quando parecia que estava dominado. "Com perímetros de extensões de dezenas de quilómetros é muito difícil estar a acompanhar cada metro e pode haver zonas onde volte a reacender, sobretudo quando há episódios de vento como parece ter sido o caso de ontem [segunda-feira]".

Salvaguardando que não é fácil analisar a situação ainda com as chamas ativas e que não está no terreno a acompanhar este caso concreto, Xavier Viegas sublinha que tem a noção de que "tem havido uma boa articulação dos meios, um bom emprego dos recursos, quer meios aéreos quer meios terrestres, e com boa coordenação". Nos grandes incêndios, considera, "é fácil, sobretudo para quem está de fora, ter a sensação de que há alguma descoordenação, alguma desorganização", pois não estão "por dentro dos processos, da complexidade deles e de ter que articular um conjunto muito grande de entidades, de pessoas, ter em conta eventos e factos ou limitações a acontecer".

Ainda segundo o especialista ouvido pelo JN, "sobretudo quando o fogo se propaga com mais intensidade, em maior extensão ou em diversas direções, é fácil que quem está no comando tenha alguma dificuldade em se aperceber do que está a acontecer". As pessoas no comando "podem ter muito pouco tempo para reagir, por isso têm de ter o máximo de dados e informação para tomar as decisões corretas e é preciso refletir sobre os dados para não se cometer erros".

No caso da serra da Estela, "há bastante acerto nas decisões tomadas para limitar este incêndio", conclui Xavier Viegas.

Zulay Costa