Desporto

Licença para vender álcool no Catar custa 130 mil euros

Nuno Lázaro tem um restaurante português no Catar DR

No único restaurante português do emirado, os clientes dão preferência ao arroz de marisco e ao bacalhau com natas.

No Catar, há apenas um restaurante português. Nuno Lázaro e Sara Baía são os proprietários do restaurante Lázaros, localizado em Lusail, a cerca de 15 quilómetros de Doha, que oferece comida exclusivamente portuguesa. "Arroz de marisco e bacalhau com natas são os pratos preferidos dos nossos clientes", afirmou Nuno Lázaro, ao JN.

O casal teve no passado um outro restaurante, mas acabou por fechá-lo, recentemente, por não ter licença para vender álcool. "A maioria dos portugueses que fazia a encomenda das mesas perguntava se tínhamos álcool. Toda a gente gosta de comer bacalhau ou borrego acompanhado por um copo de vinho e como não podíamos as pessoas desistiam e iam para outro local. Foi o pior erro que fiz na altura", disse, acrescentando que os pratos também não podiam ser confecionados com álcool. "Por exemplo, na francesinha, tínhamos de usar cerveja sem álcool e não podíamos utilizar carne de porco. Aqui é totalmente proibido".

No novo espaço, que amanhã é inaugurado, precisamente no dia em que Portugal defronta o Gana no arranque do Mundial, Nuno e Sara já podem vender álcool. "A licença custou 130 mil euros", explicou. Devido às regras apertadas no emirado, é preciso uma autorização especial do Governo catari e os preços das bebidas não são para todas as carteiras. "Uma cerveja custa 15 euros e uma garrafa de vinho pode custar 50", explicou.

O desejo de abrir um restaurante português no Catar começou há muitos anos. "A minha esposa é psicóloga, mas como aqui é muito difícil arranjar emprego nessa área, começámos a vender comida para fora. Ela adora cozinhar, houve um dia que perguntei se achava que devíamos arriscar, sabendo que era um risco muito grande, mas decidimos fazê-lo".

Os principais clientes são... brasileiros. "Temos de todas as nacionalidades, mas a maioria é, de facto, brasileira. Infelizmente os portugueses não aderem muito a algo que é seu, não sei se é por ciúmes, não faço ideia", explicou.

Nuno Lázaro é treinador adjunto do Al-Khor, uma equipa da 2.ª Divisão do Catar. Uma paixão que alimenta todos os dias. "Sinceramente, gosto mais de ser treinador, o restaurante é um hobby, em que a minha mulher assume um papel mais ativo".

Sobre a participação de Portugal no Campeonato do Mundo, revelou que está otimista. "Espero que chegue, pelo menos, aos quartos de final. No restaurante temos algumas festas preparadas e estamos a pensar fazer alguns menus diferentes nos dias dos jogos de Portugal. Também equacionamos happy hours, churrascos no exterior e usar tendas árabes para as pessoas assistirem aos jogos de uma forma menos convencional".

Se os donos do restaurante tivessem de oferecer uma iguaria à seleção portuguesa, não seria bacalhau com natas nem arroz de marisco. A escolha é muito simples: "Uma francesinha".

Rui Farinha, em Doha