Justiça

Usava lixívia para disfarçar cheiro de decomposição de cadáver que tinha casa

Cadáveres foram retirados de casa no domingo à noite Diana Quintela / Global Imagens

Anabela, cerca de 70 anos, manteve o cadáver que será do pai, Custódio, no quarto da habitação durante cerca de 15 anos e, para disfarçar o cheiro, usava lixívia. Os vizinhos no número 67 da Avenida Tomás Ribeiro, em Linda-a-Velha, davam conta do cheiro intenso a lixívia até que este sábado, esse cheiro foi substituído por um de decomposição.

O alerta para as autoridades foi dado no domingo e os bombeiros tiveram que entrar pela janela da habitação, já que a porta estaria trancada por dentro. Entraram no quarto onde estava um corpo mumificado, que seria o pai de Anabela. No corredor estava Anabela, que faleceu dias antes.

Anabela não tinha água em casa e era vista todos os dias a sair de casa com um carrinho de compras, sempre ao final do dia. Dirigia-se a uma superfície comercial para comprar água e lixívia. Idalina Carvalho, vizinha, falava com Anabela todos os dias à entrada do prédio.

"Ficámos estupefactos com a descoberta, ela muito reservada, mas gentil, não havia qualquer razão de queixa", disse Idalina Carvalho. A única exceção foi há uns anos, lembra-se Idalina, quando vizinhos queixaram-se do cheiro intenso a lixívia na casa de Anabela. "Como ela não tinha água em casa, julguei que fosse para disfarçar o cheiro da canalização estagnada ou algo parecido", referiu a vizinha.

No local estiveram os Bombeiros Voluntários do Dafundo, com três veículos, e a PSP. A Polícia Judiciária também foi acionada e vai investigar o caso.

Rogério Matos