Mundo

Chefe da agência nuclear da ONU inicia visita à central de Zaporíjia

Rafael Grossi num local não identificado da Ucrânia, no âmbito da visita à central nuclear de Zaporíjia Fredrik DAHL / AIEA/ AFP

O chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, chegou esta quinta-feira à central nuclear ucraniana de Zaporíjia para avaliar a situação após a destruição da barragem de Kakhovka.

A central de Zaporíjia, com seis reatores nucleares, é a maior do género na Europa e foi ocupada por forças russas nos primeiros dias da ofensiva militar lançada por Moscovo em 24 de fevereiro de 2022.

A AIEA tem uma equipa na central, que será substituída durante a visita de Rafael Grossi.

"O diretor-geral da AIEA e a sua equipa chegaram à central nuclear de Zaporíjia", declarou o representante permanente da Rússia junto das organizações internacionais em Viena, Mikhail Ulyanov.

Grossi deveria ter visitado a central na quarta-feira, para avaliar os potenciais riscos de segurança devido à destruição da barragem de Kakhovka, no rio Dnipro, cuja água é utilizada para arrefecer os seis reatores, que estão desligados. A visita foi adiada para esta quinta-feira, por razões de segurança.

"Não foi fácil organizar uma visita nestas circunstâncias, mas a parte russa fez o seu melhor", afirmou Mikhail Ulyanov, citado pela agência francesa AFP.

A agência russa TASS divulgou um vídeo em que se vê uma coluna de viaturas a chegar à central, duas delas com bandeiras da agência da ONU especializada em energia atómica, que tem sede em Viena.

Grossi, que já visitou várias vezes a central, deve determinar se está em perigo devido à destruição da barragem.

O chefe da AIEA disse, na terça-feira, em Kiev, que não existe um perigo imediato para a central, mas admitiu estar preocupado com o nível de água no tanque de arrefecimento.

"Existe um risco grave, porque a água é limitada. Quero fazer a minha própria avaliação", afirmou, após um encontro com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Kiev e Moscovo acusaram-se mutuamente da destruição da barragem de Kakhovka, em 6 de junho, que provocou graves inundações no sul da Ucrânia, agravando a situação do país invadido em 24 de fevereiro de 2022.

JN/Agências