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Incêndio em estância de esqui na Suíça faz pelo menos 40 mortos e 115 feridos

No interior do bar estavam "mais de 100 pessoas" Foto: Maxime Schmid / AFP

Um incêndio num bar da estância de esqui de Crans-Montana, nos Alpes Suíços, provocou "cerca de 40 mortos e pelo menos 115 feridos" na madrugada desta quinta-feira, em plena celebração de passagem de ano.

Não foram divulgadas ainda a causa do incidente ou as nacionalidades das vítimas do que o presidente da Suíça, Guy Parmelin, classificou como "uma das piores tragédias" do país.

As primeiras informações, na manhã de hoje, já davam conta de dezenas de mortos e mais de uma centena de feridos. A meio da tarde, a Polícia do cantão de Valais, no sudoeste da Suíça, divulgou a estimativa. "Contabilizamos cerca de 40 mortos e pelo menos 115 feridos, a maioria em estado grave", relatou o comandante Frederic Gisler. Segundo o jornal suíço "Walliser Bote", pelo menos 80 dos feridos são graves, sendo que o número pode ser muito maior.

Os jornalistas perguntaram às autoridades se o fogo no bar Le Constellation, que acabou por provocar uma explosão, foi causado por elementos pirotécnicos instalados em garrafas de champanhe. A procuradora-geral de Valais, Beatrice Pilloud, afirmou ser muito cedo para responder a este tipo de questões e que as investigações continuam.

Pilloud evitou também dizer as nacionalidades das vítimas. "Temos números aproximados. Mas, primeiro, vamos fazer o nosso trabalho. E depois queremos entrar em contacto com as famílias afetadas", acrescentou.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Itália, pelo menos 15 italianos ficaram feridos - com alguns transportados para um hospital em Milão - e há um número similar de desaparecidos. A diplomacia de França reportou pelo menos dois cidadãos franceses feridos.

Muitos jovens presentes

O estabelecimento, com capacidade para 300 pessoas no interior e mais 40 na esplanada, segundo o site de Crans-Montana, era propriedade de um casal francês, de acordo com registos locais e amigos dos donos. O local tinha "provavelmente muitas pessoas jovens", disse o conselheiro de Estado Stéphane Ganzer, quando o incêndio deflagrou, por volta da 1.30 hora (0.30 em Portugal continental).

Alexis Lagger, de 18 anos, caminhava com amigos em frente ao bar quando se aperceberam do fumo e das chamas a sair do estabelecimento, chamando a Polícia. "Estou em choque", contou à emissora pública suíça RTS. "As pessoas corriam por entre as chamas. Outras usavam cadeiras para tentar partir as janelas", completou.

"Calamidade"

"Uma das piores tragédias que o nosso país já viveu." Foi assim que o chefe de Estado suíço classificou o caso em Crans-Montana. "Constitui uma calamidade de proporções sem precedentes e aterradoras", definiu Guy Parmelin, que agradeceu aos países que ofereceram ajuda, nomeadamente os vizinhos Alemanha, França e Itália.

O presidente suíço esteve em contacto com o homólogo francês, Emmanuel Macron, que anunciou que França receberia alguns dos feridos. A presidente da Comissão Europeia ofereceu apoio através do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia. "A Europa manifesta total solidariedade para com a Suíça", escreveu Ursula von der Leyen na rede social X.

De noite, cerca de 400 pessoas reuniram-se na Igreja Católica de Crans-Montana, localizada 15 minutos a pé do bar, para homenagear as vítimas. A bandeira suíça ficará a meia haste por cinco dias.

Sem portugueses para já

O Governo português "está a acompanhar" a situação e, "até ao momento, não há indicação de vítimas portuguesas", disse ao JN fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros, salientando, no entanto, que "é uma zona onde trabalham muitos portugueses".

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou ao homólogo suíço, Guy Parmelin, um "testemunho da solidariedade para com o povo suíço" perante a "tragédia que assinalou a passagem do ano, provocando tantos mortos e feridos num momento que se desejaria ser de júbilo e de esperança".

Presidente adia discurso de Ano Novo

Guy Parmelin, presidente da Suíça, adiou o seu discurso de Ano Novo na sequência do incêndio em Crans-Montana por respeito às famílias das vítimas. Nas redes sociais, expressou a sua "profunda consternação". E acrescentou: "O que deveria ter sido um momento de alegria transformou-se, de noite em Crans-Montana, num luto que afeta toda a Suíça e o exterior".

"Uma das piores tragédias que o nosso país já viveu", classificou o chefe de Estado durante a conferência de Imprensa com a Polícia, na tarde desta quinta-feira. Parmelin agradeceu ainda os países que ofereceram ajuda, especificamente França, Alemanha e Itália.

Gabriel Hansen