Chico Peres Smith partiu para o Canadá em 2011 e tem-se dedicado a inovar atrás da câmara.
Chico Peres Smith, o cineasta e crítico de cinema português que em 2011 partiu para o Canadá e agora se reparte entre os dois países, não parou de inovar e experimentar desde que, em criança, pegou numa câmara para gravar as brincadeiras dos irmãos. Prefere o cinema independente às grandes produções de Hollywood e não busca prémios. Acredita que o "Mundo pode ser melhor" e a arte desempenha um papel importante na transformação.
O agora cineasta deu o salto para Montreal, no Quebec, através do programa de estágios internacionais INOV-Art, após estudar na Escola Superior de Teatro e Cinema do então Conservatório Nacional de Lisboa. Começou numa televisão comunitária e foi somando experiências ao currículo.
Dos filmes com monstros que lhe valeram a alcunha de Monstro Tuga às curtas-metragens como "Fogo Frio" e "Tummo", passando pela coprodução e direção de fotografia da longa-metragem "Messy Legends" - realizada por Kelly Kay Hurcomb & James Watts e vencedora do Prémio do Público no festival Fantasia de Montreal - e pelo documentário experimental "Tomorrow Doesn"t Exist", há muito para nos fazer pensar. Este último, que parte de um livro de colagens para explorar a dicotomia entre o analógico e o digital e a memória, decorre do seu "interesse pela morte da comunidade e a ascensão do individualismo". O que sobra quando a tecnologia nos consome e como reconfigura a conexão humana?
É mais uma prova de como Chico Peres Smith prefere a "originalidade" do cinema independente, que considera mais "artístico", aos trabalhos para as "massas" das grandes produções de Hollywood, um estilo comercial que diz abominar. Onde a vontade de "vender" não raras vezes se sobrepõe à "arte". O ideal de um Mundo melhor basta para o inspirar e mover. Mais do que qualquer prémio, um reconhecimento que não valoriza, por muitas vezes andar ao sabor de "agendas". "Dou mais valor ao facto de [o projeto] ter sido concluído e não ficar na gaveta do que receber prémios."
Chico Peres Smith, que aprendeu a gostar do cinema português no Canadá, um país onde se dá "muito valor ao cinema nacional", gostava que a sua obra "inspirasse outros a fazerem ainda melhor". Também em Portugal, onde há "potencial", mas é preciso "ultrapassar a nuvem de mediocridade" que paira sobre o povo.
Chico Peres Smith
Localização Montreal, Quebec, Canadá
Profissão Cineasta
Idade 42 anos
Link gratuito do último filme aqui.