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Dono do bar que ardeu na Suíça diz que porta de serviço estava trancada por dentro

Jacques e Jessica Moretti, proprietários do bar Foto: Fabrice Coffrini/AFP

O proprietário francês do bar suíço onde 40 pessoas morreram num incêndio durante as celebrações de Ano Novo disse aos investigadores que uma porta de serviço estava trancada por dentro.

Jacques Moretti, coproprietário do bar Le Constellation, na cidade turística suíça de Crans-Montana, foi detido na sexta-feira, enquanto os procuradores investigam a tragédia. A maioria das 40 pessoas que morreram eram adolescentes e outras 116 ficaram feridas.

Moretti disse à procuradoria de Vallais que descobriu que a porta estava trancada logo após o incêndio fatal. Ao chegar ao local, arrombou a porta, de acordo com excertos de relatórios policiais publicados por vários meios de comunicação franceses e suíços, confirmados à AFP por uma fonte próxima do caso.

O dono do bar disse que encontrou várias pessoas caídas atrás da porta depois de a abrir.

Estão também a ser levantadas questões sobre a presença e acessibilidade de extintores e se as saídas de emergência do bar estavam em conformidade com as normas.

As primeiras conclusões sugerem que o incêndio foi provocado por garrafas de champanhe com pequenos foguetes que entraram em contacto com a espuma de isolamento acústico instalada no teto da cave do estabelecimento. "Colocamos sempre uma vela de faísca quando servimos uma garrafa de vinho no salão", disse a mulher e co-proprietária, Jessica, que foi libertada após a audiência de sexta-feira.

Moretti disse aos investigadores que tinha realizado testes e que as velas não eram suficientemente potentes para incendiar a espuma acústica. Afirmou ainda comprou a espuma numa loja de materiais de construção e instalou-a ele próprio durante as remodelações realizadas após a compra do estabelecimento em 2015.

Em relação à presença de vários menores no bar no momento da tragédia, Moretti disse que o estabelecimento proibia a entrada a menores de 16 anos e que os clientes dos 16 aos 18 anos deveriam ser acompanhados por um adulto. Garantiu ter dado estas "instruções" à equipa de segurança, mas reconheceu que "é possível que tenha havido uma falha no protocolo".

O casal é suspeito de "homicídio negligente, ofensa à integridade física negligente e incêndio criminoso culposo".

AFP