
Jacques e Jessica Moretti, proprietários do bar
Foto: Fabrice Coffrini / AFP
Um tribunal decidiu libertar da prisão preventiva, após pagamento de caução, Jacques Moretti, coproprietário de um bar na estância de esqui de Crans Montana, onde 40 pessoas morreram num incêndio na passagem do ano.
O tribunal do cantão de Valais anunciou, em comunicado, ter "revogado a prisão preventiva" do arguido, sem precisar se a libertação já ocorreu, depois do pagamento de uma caução de 200 mil francos suíços (cerca de 215 mil euros).
Tal como a mulher, Jessica Moretti, que permanece em liberdade, Jacques Moretti fica sujeito a "medidas alternativas" destinadas a reduzir o risco de fuga.
Entre as medidas impostas contam-se a proibição de sair do país, a entrega de todos os documentos de identificação ao Ministério Público, a obrigação de apresentação diária numa esquadra da polícia e o pagamento da caução fixada.
Jacques Moretti encontrava-se em prisão preventiva desde 9 de janeiro, no âmbito da investigação ao incêndio que causou 40 mortos e 116 feridos.
Vários advogados das vítimas tinham manifestado surpresa por o Ministério Público não ter invocado risco de conluio.
O tribunal sublinhou que "todo o arguido é presumido inocente" e que o princípio fundamental do processo penal suíço determina que o arguido permaneça em liberdade até ao julgamento.
"A prisão preventiva a que o arguido foi sujeito não teve como objetivo punir", acrescentou o tribunal.
A investigação indicou que o incêndio no bar Constellation, onde se encontravam sobretudo adolescentes e jovens adultos, terá sido desencadeado por faíscas de velas que incendiaram a espuma de isolamento acústico no teto da cave.
O inquérito deverá apurar as circunstâncias exatas do incêndio, o cumprimento das normas de segurança por parte dos proprietários e as responsabilidades envolvidas, depois de o município de Crans-Montana ter admitido não realizar inspeções de segurança e incêndio no estabelecimento desde 2019.
Enquanto proprietários do bar, Jacques e Jessica Moretti são alvo de uma investigação criminal por homicídio culposo, ofensas corporais culposas e incêndio criminoso culposo.
Ambos foram interrogados na terça e na quarta-feira pelas autoridades judiciais, em audições que duraram mais de dez horas cada, com a presença de cerca de 30 representantes legais, indicou o Ministério Público do Valais.
