A Câmara do Porto vai implementar projeto-piloto que proibirá a circulação de veículos na Praça da Batalha, durante o fim de semana. O impedimento de pesados na VCI já teve aval do Governo.
O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, quer limitar o acesso de automóveis ao centro da cidade. A medida para "devolver zonas pedonais à cidade", a implementar de forma gradual, avança na Praça da Batalha já a partir de março. A zona será vedada à circulação automóvel durante os fins de semana, incentivando o uso dos transportes públicos. O plano passa por avaliar a eficácia da medida para, de forma faseada, aumentar o raio de ação a outras áreas da Invicta. O aumento do número de corredores bus também está na lista de prioridades da autarquia.
A proibição do transporte individual em determinadas áreas do centro da cidade é uma das medidas que visa ajudar a resolver o problema do trânsito, que tantos transtornos causa aos portuenses. Pedro Duarte explicou que esta primeira fase serve para avaliar os impactos e a adesão dos cidadãos, antes de alargar a medida.
"A implementação gradual serve para que haja uma habituação natural das pessoas. Queremos que toda a gente usufrua da cidade e, por isso, vamos adequar esta medida em função do impacto que tiver. No entanto, sabemos que vai haver quem não aprecie, porque isto mexe com hábitos e rotinas", afirmou o presidente da Câmara do Porto, na quinta-feira, acrescentando que já "há outras potenciais vias identificadas" para implementar esta proibição, mas que tudo dependerá dos resultados do projeto-piloto.
Quando a medida for uma realidade noutras zonas do concelho, é preciso garantir a mobilidade. Nesse sentido, assumindo que tem noção de que o problema do trânsito "só será resolvido a médio prazo", Pedro Duarte assinala que a aposta passa pela criação de mais corredores bus, assim que possível.
A Câmara já está a fazer o mapeamento da cidade, de modo a perceber quais os melhores locais para criar estas vias exclusivas aos transportes públicos. "Onde pudermos, vamos colocar", garantiu Pedro Duarte, que pretende tornar os transportes públicos gratuitos para os portuenses, como forma de desincentivar o uso do transporte individual.
Lembrando que "muitos automóveis que estão na cidade são de pessoas que vêm de fora da do Porto", acrescentou que está prevista a adoção de medidas que ajudem a mitigar este facto, sendo que é algo a "trabalhar com os concelhos vizinhos".
Sobre novos investimentos no metro, Pedro Duarte descartou que as linhas do Campo Alegre e Circular passem à frente de investimentos como a Linha de São Mamede, Maia II ou Gondomar.
Isenção de portagens
A Via de Cintura Interna (VCI), diariamente congestionada, continua a ser uma das preocupações mais prementes no que toca à mobilidade na cidade e na região. O autarca social-democrata revelou que a proposta de proibir a circulação de camiões nas horas de ponta já teve o aval do Governo, sendo possível que entre em vigor no mês de março, altura em que os veículos pesados também ficarão isentos de pagar portagens na CREP - Circular Regional Exterior do Porto, que será alternativa à VCI.
Sala de consumo assistido muda de sítio para não ficar junto a Serralves e a escolas
Pedro Duarte defende a mudança de localização da sala de consumo assistido junto ao Bairro da Pasteleira e já está a considerar alternativas. Para o presidente da Câmara do Porto é inaceitável ter um equipamento destes "colado ao muro de uma instituição como a Fundação de Serralves - visitada por crianças, turistas e cidadãos - e entre duas escolas". O autarca assumiu que as condições da própria sala fazem com que haja proliferação de consumos "num perímetro à volta". Quanto à futura localização, estará a ser avaliada por especialistas, no entanto não poderá "ficar num local isolado" e sem acessos. Garantiu ainda não ter medo de exigir que haja uma ação mais musculada em relação a quem "prevarica e perturba a vida pública".
Apontamentos
Simbólico
Na data em que cumpriu o centésimo dia de mandato, Pedro Duarte plantou a árvore número cem do plano de arborização da cidade.
Sem-abrigo
Quanto ao plano de contingência para as pessoas em situação de sem-abrigo, o presidente garantiu ser flexível e que as equipas que acompanham estas situações "são excecionais e rápidas a encontrar respostas".