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Portugueses querem abandonar a República Centro-Africana

Sia Kambou/AFP

A capital da República Centro-Africana está a saque, depois de o presidente ter fugido, este domingo, para o Congo e de a cidade ter sido tomada pelos rebeldes. No país vivem 35 portugueses, alguns dos quais querem sair.

A informação foi dada ao JN pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Segundo José Cesário, vivem na República Centro-Africana (RCA) 35 portugueses, alguns dos quais manifestaram já vontade de sair, caso haja alguma operação de evacuação.

Portugal tem um cônsul honorário em Bangui, capital da RCA, com o qual "tem sido muito difícil de contactar", devido à situação no país, referiu José Cesário, que aconselha os portugueses a "permanecerem em casa".

Bangui foi tomada pelos rebeldes do Seleka este domingo, depois de o presidente François Bozizé e a família terem fugido para a vizinha República Democrática do Congo, através do rio Oubangi.

Os rebeldes retomaram as hostilidades na semana passada depois de ter expirado um ultimato ao regime, em que exigiam o respeito dos acordos de Libreville, estabelecidos em janeiro, a libertação dos prisioneiros e a partida de tropas estrangeiras.

O Seleka reclama também a integração dos seus combatentes no exército, o que não consta dos acordos de paz.

A tensão no país intensificou-se no sábado, depois de Paris ter anunciado o envio de mais 350 militares para garantir a segurança de cidadãos franceses e estrangeiros que queiram abandonar a República Centro Africana.

O governo português está em permanente contacto com o homólogo francês através das embaixadas em Paris e Quinxassa (República Democrática do Congo). A existir alguma operação de evacuação, esta será sempre controlada por França.

As agências internacionais falam de uma situação de anarquia em Bangui, com numerosos saques a casas, escritórios e viaturas por parte de homens armados vestidos à civil.

Fátima Mariano