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Filme de ação iraniano "A lei de Teerão" surpreende

Filme de ação iraniano "A lei de Teerão" surpreende

Realizado pelo cineasta Saeed Roustaee, de apenas 32 anos, conta uma história de tráfico de drogas na capital iraniana.

Assim como podemos afirmar que o cinema português sobreviveu à morte de Manoel de Oliveira, com a chegada de uma nova geração de cineastas que, apesar do respeito pelo mestre, se afastou já do seu universo temático e estilístico, também começa a ser legítimo sublinhar que o cinema do Irão também sobreviveu ao desaparecimento de Abbas Kiarostami.

O exemplo do iraniano Saeed Roustaee é paradigmático. Com apenas 32 anos, já dirigiu três longas-metragens e, enquanto aguardamos a chegada do filme que lhe valeu este ano o Prémio da Crítica em Cannes, "Os Irmãos de Leila", chega esta quinta-feira às salas o que será, seguramente, um dos grandes filmes do ano, "A Lei de Teerão", estreado mundialmente no Festival de Veneza de 2019. Se esquecermos então, por um momento, o cinema iraniano com a marca Kiarostami, estaremos livres para absorver tudo o que Roustaee tem para nos contar - e não é pouco.

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"A Lei de Teerão" inscreve-se diretamente na linha universalista de filmes de polícias e ladrões. Mas, quando conhecemos os constrangimentos morais e legais da sociedade iraniana, percebemos desde o início que o filme, que evolui num quadro profundamente realista, nos remete para o submundo do tráfico e consumo de droga na capita iraniana. É a primeira grande surpresa.

A ação centra-se num agente da polícia determinado a apanhar um esquivo barão da droga e no esforço que este faz, a todos os níveis, para escapar à pena capital quando é finalmente preso. O filme começa com uma sequência de um ritmo alucinante e arrasador e termina de forma brutal. Mas, ao longo das suas pouco mais de duas horas, Roustaee nunca perde o sentido do espetáculo, acompanhado por uma também nova geração de atores.

Esqueçam os policiais de Hollywood ou da TV; aqui nem os polícias são heróis intocáveis e moralmente impolutos, nem os criminosos são só monstros. E a carga social, nunca usada para justificar o crime de uma forma fácil, está afinal sempre presente.

Vivo, surpreendente e corajoso, "A Lei de Teerão" é um filme absolutamente a não perder.

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