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Um grito nórdico acordou o Milhões de Festa

Um grito nórdico acordou o Milhões de Festa

Circle. A banda oriunda da Finlândia foi uma pedrada no charco da noite do segundo dia do Milhões de Festa, esta sexta-feira à noite. Foi um caleidoscópio de variantes do rock e metal que deixou Barcelos a gritar por mais enquanto agradecia.

É certo que a noite ainda ia a meio quando os finlandeses pisaram o palco Milhões, mas a toada hard rock com que começaram mostrou logo ao que vinham. Circle é aquela banda que já pinga suor antes do fim da primeira música. Não pára do início ao fim e tem tanto de positivo na performance em palco como no som que sai das colunas. Antes da despedida, fazem pose para o público que aplaude de forma incessante enquanto as guitarras desvanecem e a percussão abranda o ritmo.

Circle é um quinteto de metal clássico de duas guitarras, baixo e bateria ao qual acrescentam teclas e uma figura insana - há sempre uma. Chama-se Janne Westerlund, de cabelo à Einstein, performance intimidante e gritos agudos meticulosamente afinados a fazer lembrar outros tempos do rock enquanto agride as teclas com as mãos, pés ou peito.

As influências de Circle são de heavy metal e krautrock, mas o estilo acaba por ser um rock experimental repetitivo de riffs à Led Zeppelin, sintéticos imersivos e teclas sinistras. Esta mistura tão versátil toca em géneros de metal mas atinge várias variantes do rock, num fenómeno que é explicado pelo fato de já terem mais de 30 álbuns de originais e quase 50 entre originais e ao vivo, numa carreira de 27 anos que começou em 1991. Isto também explica a maturidade deste rock, másculo, apesar de todos vestirem leggings.

A combinação disto tudo caiu no Milhões de Festa como uma bebida fresca no deserto, tal foi a passividade demonstrada pelo público nos concertos anteriores. Foi o mesmo público que brindou a pose final de Circle com um longo coro de palmas e gritos de agradecimento pelo momento. Memorável.

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