Braga

Mão Morta consagraram álbum Mutantes S.21 no Theatro Circo

Mão Morta consagraram álbum Mutantes S.21 no Theatro Circo

O Theatro Circo de Braga recebeu uma centena de minutos de rock feio, porco e mau com tanto de maníaco como de excecional, este sábado à noite, no concerto de celebração dos 25 anos do álbum Mutantes S.21.

O concerto foi pintado com uma série de ilustrações dinâmicas feitas por 15 artistas cujas obras foram tratadas ao vivo por João Martinho Moura, que conseguiu criar um efeito cénico frequentemente aterrador onde pretos, brancos e vermelhos se emancipavam. A ideia recebeu aceitação unânime por parte de quem viu o concerto de Braga, tal foi poética a relação simbiótica entre a música e o que passava atrás.

Por entre efeitos visuais hipnóticos, "riffs" ululantes brotavam dos amplificadores Marshall e um Adolfo Luxúria Canibal gritava: "Fotos! Tirem fotos. Muitas fotos, com flashes. Estamos aqui, nós não nos importamos".

A parte do rock feio, porco e mau é, na verdade, bom. E grande dose da culpa disto é do vocalista Adolfo Luxúria Canibal, um ser que veste preto, ao cantar arregala os olhos e usa cabelo branco despenteado. Um mutante de palco que ora canta agudo jocoso ora transvia para grave assustador, ocasionalmente de letra poética a instigar sexualidade bruta.

Em palco ele marcha, roda, atira-se para o chão e sabe sempre como contar uma boa estória numa ou duas frases. Lembrou, claro, a melhor de todas, passada há 25 anos quando "Mutantes S.21" estava no auge e aconteceu o concerto da destruição do Theatro Circo.

Naquela noite de 1993 estavam quase mil loucos na sala. O público está descontrolado e não faltam fãs a mergulhar do palco para a plateia. Adolfo perde o casaco, nada em objetos atirados, é alvo de uma tentativa de sexo oral quase conseguida por parte de uma fã descontrolada. Enfim, uma loucura que acabou com o Theatro Circo, que ia para obras, semidestruído.

"Quando tocámos há 25 anos nesta sala éramos mais novos. A sala era diferente, e ficou muito diferente depois", lembrou ontem Adolfo, com humor, a meio do concerto. Um quarto de século depois a casa voltou a estar cheia de convertidos e a banda bracarense correspondeu ao tocar o álbum completo mais oito músicas de outros discos, quase todas com arranjos diferentes, quase sempre nas partes finais.

A viagem em começou em "Shambalah", passou por "Marraquexe", "Paris", "Istambul", "Budapeste", "Berlim", "Amsterdão", "Barcelona" e "Lisboa". Entre os temas do Mutantes S.21, faziam-se desvios no caminho para se ouvir "Até Cair", "Velocidade Escaldante" e "Maria Oh Maria". Os encores trouxeram "Tiago Capitão", "Fazer de Morto", "Bófia", "Véus Caídos" e "E Se Depois", música com que terminaram o último concerto da digressão do Mutantes S21.

Faltou, quiçá, mais uma ou duas músicas das mais conhecidas e uns minutos extra de concerto, porque as quase duas horas passaram rápido para os saudosos.

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