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Opinião

O Diabo não veste "hijab"

Agora mártir, Mahsa Amini morreu para que as mulheres possam usar o véu, querendo. E essa vontade, simultaneamente última e primordial, acto de escolha e de liberdade, é apenas matéria de dignidade e de direitos humanos. Não de ponderação de costumes ou de religião. Nem permite qualquer relativização. Identifica a misoginia, aqueles que punem pela hierarquia dos costumes duma suposta superioridade moral. Distintas entre seres humanos em razão do género, a obrigatoriedade e a imposição são inultrapassáveis e indefensáveis do ponto de vista societário. Confundir isso com respeito é achincalhar a civilização, seja qual for a forma e matéria da mesma.

Opinião

Pausa, "reload"

A ausência de vitórias configura sempre uma semana negra. Uma derrota e um empate, neste contexto, são dados atirados a uma mesa de jogo azul e branca, viciada em vencer, que não se revê nem conforma com um destino a preto e branco. A falta de soluções não parece ser temporária, mas os erros também não podem ser permanentes. Os primeiros 45 minutos com ao Estoril não estiveram distantes dos 90 minutos frente ao Brugge e, como tal, o Dragão sai para 13 dias de negrume, na pausa competitiva entre selecções.

BANCADA JN 365 AZUL

Rodar as chaves

O Chaves, aquele que derrotou o Sporting em Alvalade, é uma equipa com desenho e ideia, arrumada e convicta do que sabe fazer. Nunca acertou entre os postes, mas nunca deu descanso. Só é possível dizê-lo porque andou lá perto, a "cheirar o golo" por diversas vezes. E esse é um dos maiores elogios que se pode fazer ao F. C. Porto na ressaca pós-Madrid. Sem a maestria de Otávio, Conceição viu-se "obrigado" a devolver Pepê para mais perto do seu lugar natural como municiador de ataque, retendo-o nesse papel até à saída de João Mário, momento em que o recuou para o lado direito da defesa. Sem Pepe, em gestão física entre o Atlético e o Brugge para que possa jogar hoje e no Estoril antes da pausa para selecções, Fábio Cardoso estreou-se (e bem) na Liga em dupla inédita com o recém-estreante David Carmo. Wendell rendeu Zaidu e Toni Martínez avançou para o lugar de Evanilson, ensaios para a rotatividade que o desgaste da época obrigará.

Cimento líquido

Um calmante social, primeiro

A espiral inflacionista não vai abrandar ao som de "The queen is dead" dos The Smiths. A inflação não entenrecerá a caminho da convergência de 2% com a Zona Euro que António Costa deseja e projecta, como se de "brutal" ou "duradoura" voltasse a ser "transitória", pelo facto de, durante alguns e largos dias, as notícias migrarem para o Reino Unido no caminho oposto ao Brexit. Nem a guerra na Ucrânia suspende, nem o preço excessivo da energia diminui, nem o SNS assiste. "London calling", aqui estaremos, fatidicamente.

Opinião

Regressar à mudança

Mudar para insistir num modelo que não perca a ideia de jogo e sustente um recomeço. Cinco alterações no onze e sem losango. Nada que Sérgio Conceição não tenha já feito por múltiplas vezes. Alterações que, neste caso, lhe permitiram chegar à vitória número 200, assegurando um bom par de opções para o futuro próximo. O jogo de amanhã frente ao Atlético, osso duro e a doer em Madrid, dirá o quanto as opções de Barcelos foram realizadas em razão da táctica ou em razão da gestão de esforço. Certo é que, depois do jogo pavoroso em Vila do Conde, algo tinha de mudar. Impunha-se. E assim o F. C. Porto se impôs ao Gil Vicente desde o primeiro minuto, numa entrada convincente, algo que ainda não havia conseguido em nenhum encontro desta Liga.

Opinião

Meia bola e a meia força

Entre a meia bola e a meia força nas Caxinas, o F. C. Porto entrou mar adentro, foi e não voltou. Tentou, abnegadamente e sem ponta de sorte, regressar para costa firme mas o "penalty" falhado por Taremi colocou uma âncora no jogo: a vitória não fugiria ao Rio Ave. A primeira vitória dos vila-condenses na Liga acontece à custa do seu indiscutível mérito e eficácia, mas também do naufrágio precoce de uma equipa que, uma vez mais, entrou no jogo incapaz de o segurar, sem o atar ao controlo, displicente e minguada de ideias, a ver o que a partida ia dando e o adversário fazendo. Uma primeira parte horrível que sentenciou o jogo num inusitado 3-0 a meio caminho, algo que não sucedia desde 1975. As três más entradas em jogo nas três primeiras jornadas tiveram, agora, uma interminável longa-metragem de 45 minutos. Tudo o que viria a seguir, viria a ser tarde demais. O Dragão procura, este ano, a síntese das cinco épocas de Conceição no F. C. Porto. Sem a força dos anos de Marega, sem a magia de Corona ou Luis Díaz, sem a fluência de bola de Vitinha. O equilíbrio terá de ser conseguido no futebol que já se viu a espaços, que sendo uma síntese não pode ser um meio termo. No entretanto, enquanto se ajusta e procura ultrapassar a orfandade de fluidez no centro do terreno, este F. C. Porto é, algumas vezes, de meia bola e de meia força. O reforço que tanto se pede, é mesmo o de um "box-to-box" que jogue com Uribe e deixe Uribe jogar. Defensivamente, as opções laterais são mais capazes no momento ofensivo do que defensivo, o que faz a velocidade dos centrais entrar no ângulo do debate. Só Conceição saberá qual o momento de entregar outra companhia a Pepe. Dar a volta, confiança. Até ao próximo jogo, em Barcelos, vai uma eternidade.

Opinião

Angola: a vitória é bipolar

À terceira, perante suspeitas de que nem tudo terá decorrido na perfeição no processo eleitoral angolano, a UNITA não deverá levantar (apesar de alguns assomos e vozes) a bandeira da fraude. Se o fez em 2012 e 2017, fazê-lo novamente em 2022, sem consequências, seria altamente lesivo para o histórico maior partido da Oposição. Se há cinco anos, sectores mais radicais do partido não aceitaram levemente que os lugares na Assembleia Nacional fossem assumidos pelo então presidente da UNITA, Isaías Samakuva - pelo contra-senso que representava a aceitação de assentos que tinham sido obtidos em eleições que reclamavam como fraudulentas - não seria agora que essas vozes se silenciariam.

Opinião

Homens do jogo, há muitos

Quando um guarda-redes pode ser o homem do jogo, a intuição dirá ter sido ele o responsável máximo pela vitória da equipa, submetida a um intenso desgaste pelo adversário, salva "in extremis" por um homem só, a defender uma linha de 7,32 metros entre os postes. Diogo Costa poderá ser esse homem mas, felizmente para o F. C. Porto, há outros. Aqueles que dão a indicação contrária à intuição, aqueles que encheram o meio-campo e sublinharam a superioridade de uma equipa que só não engordou a goleada a 4 de diferença porque subtraíram a Veron aquele que seria o seu golo (e com que classe, qualidade e frieza...) de estreia. "Chapeau" e angústia de não ter contado. Vasco Santana na "Canção de Lisboa", já dizia sobre chapéus o que aqui escrevo sobre homens. Otávio e Pepê foram gigantes e Galeno acrescentou o ponto de rebuçado, a esticar o jogo em profundidade até ao resultado final.

Opinião

Um país a seca e fogo

Há semanas, quando o país mediu Celsius e forças com os recordes de temperatura relativos e absolutos batidos em dezenas de estações de observação, a percepção geral foi a de que os fogos que deflagraram seriam só um aperitivo para a desgraça que lavraria, inevitável, na próxima onda de calor. Não foi necessário esperar tanto. Ainda antes do aumento da temperatura prevista para as ondas de calor das próximas semanas e na antecipação de um mês de Setembro mais complicado do que o do ano transacto, os fogos florestais já fazem de Portugal o terceiro país com mais área ardida na União Europeia neste ano (cerca de 80 mil hectares) e dizimaram perto de 20 mil hectares do Parque Natural da Serra da Estrela, em frentes de incêndio de tal dimensão, que fizeram o seu fumo viajar por 400 km em voo "high cost" até Madrid.

Opinião

No fio da navalha

Ganhar um jogo ao minuto 90 são mais do que três pontos. É escapar a perder dois, é ter estrelinha de campeão, é cimentar a fé na ideia de que tudo é possível até ao minuto derradeiro, é alertar para tudo o que deveria ter sido feito para que não se sofresse até ao fim. É um alerta e uma alegria imensa. É um toque a reunir e um grito conjunto. O golo de Marcano colocou justiça no resultado de um jogo onde a justiça podia não ser decisiva para nada. Com poucas oportunidades, com bastante desacerto, valeu ao F. C. Porto ter tentado tudo e de todas as formas para sair de Vizela com a vitória. Nem sempre bem, raramente da melhor forma.

Cimento líquido

O "timing" da paciência chinesa

O conhecimento e compreensão que a China tem sobre o Ocidente, nomeadamente sobre os EUA, são hoje muito maiores do que as ideias e mitos que o Ocidente e os EUA, em particular, julgam saber sobre a China. Após anos de votos de pobreza, Deng Xiaoping iniciou reformas (que Zemin e Jintao, mais burocratas e tecnocratas, continuaram), mudando o país e alterando a percepção que a China tem sobre o Mundo e sobre a América. Com uma economia florescente, não beligerante em guerras externas, com estabilidade e segurança, melhores salários, maiores níveis de escolaridade e de esperança de vida, os académicos chineses que antes eram chamados e ouvidos pelo Governo chinês sobre como replicar o sucesso económico americano, são hoje auscultados sobre como evitar os falhanços, desastres e as crises financeiras que assolaram os EUA e os seus aliados europeus à escala da economia mundial. Antes, estudavam o seu sucesso, agora aprendem com os seus erros.