
Foto: Valery Hache/AFP
Admiradores e fãs reuniram-se na cidade natal de Brigitte Bardot, Saint-Tropez, esta quarta-feira, para o funeral da ícone do cinema francês, no dia em que o marido revelou que a atriz morreu na sequência de um cancro.
A estrela vai ser sepultada no cemitério da família, à beira-mar no Mediterrâneo, ainda hoje, depois de falecer aos 91 anos na sua casa, no dia 28 de dezembro.
Antes da cerimónia religiosa, marcada para as 11 horas locais (10 horas em Portugal continental), o marido, Bernard d'Ormale, revelou pela primeira vez a causa da morte. Lidou "muito bem" com duas cirurgias para tratar um cancro não especificado antes de a doença a "vencer", disse d'Ormale à revista "Paris Match" numa entrevista sobre a vida do casal.
Depois de ter sido hospitalizada duas vezes no final de 2025, Bardot insistiu no seu desejo de regressar a casa, conhecida como "La Madrague", apesar do desconforto físico. "Era desconfortável, mesmo quando estava acamada", acrescentou o antigo conselheiro político de Jean-Marie Le Pen, pai de Le Pen e líder da extrema-direita. "No entanto, manteve-se consciente e preocupada com o destino dos animais até ao fim."
A proteção dos animais, a que Bardot dedicou a maior parte da sua vida, serão provavelmente um tema central nas homenagens de quarta-feira, que incluem uma missa na igreja Notre-Dame de l'Assomption, um funeral privado e um evento público. A missa será transmitida em ecrãs gigantes em Saint-Tropez para os fãs que se reuniram às centenas, apesar das baixas temperaturas de inverno na manhã de quarta-feira.
Foto: Valery Hache/AFP
Bardot foi uma figura controversa que alienou muitos fãs com as suas opiniões políticas no final da vida, o que levou a reações diversas à sua morte. A maioria concordava que foiuma lenda do cinema que personificou a revolução sexual dos anos 60 através da representação e da sua personalidade ousada e pouco convencional. Porém, foi condenada cinco vezes por discurso de ódio, particularmente contra muçulmanos.
A atriz deixa o quarto marido, d'Ormale, mas não há informações sobre a presença do único filho, Nicolas-Jacques Charrier, no funeral.
Dinâmica familiar
Charrier, de 65 anos, foi criado pelo pai, o cineasta Jacques Charrier, e vive em Oslo.
Bardot escreveu nas suas memórias que desejava abortar, mas foi impedida pelo então marido. Comparou a gravidez a carregar um "tumor que se alimentava de mim" e apelidou a maternidade de "uma miséria", vivendo a maior parte da vida afastada do filho.
A mãe e o filho aproximaram-se mais nos últimos anos da sua vida.
Foto: Jean-Pierre Prevel/AFP
A irmã de Bardot, Mijanou, de 87 anos, que teve uma breve carreira no cinema, não deverá fazer a viagem desde a sua casa em Los Angeles.
Em 2018, Brigitte Bardot tinha dito que desejava ser enterrada no jardim da sua casa, juntamente com os animais de estimação, para evitar uma "multidão de idiotas" a espezinhar as campas dos pais e avós, que se encontram no mesmo cemitério onde será sepultada.
