
Para o musicólogo, os cortes anunciados tem a ver com as prioridades do Governo para o setor
José Carmo / Global Imagens / Arquivo
O musicólogo Rui Vieira Nery considerou, esta quarta-feira, que os cortes anunciados para a Casa da Música, no Porto, que levaram à demissão dos membros do conselho de administração, são "meramente políticos" e pediu ao Governo que reconsidere.
"Os cortes anunciados para a Casa da Música do Porto são puramente políticos porque em termos macroeconómicos são irrelevantes", disse Rui Vieira Nery, que desempenhou funções de secretário da Cultura entre 2005 e 2007.
Para o musicólogo, é preocupante que uma instituição com o peso, a responsabilidade e a importância que a Casa da Música tem fique privada de meios operacionais essenciais para cumprir a sua missão.
"É uma notícia muito preocupante porque a Casa da Música desde a sua fundação tem vindo a representar um pilar da vida cultural portuguesa e teve uma importância muito grande na criação de um segundo polo de atividade musical no país fora de Lisboa", disse.
De acordo com o musicólogo, os cortes anunciados pelo Governo tem a ver com as prioridades do Governo para o setor da Cultura.
"Tem a ver com as prioridades que a cultura tem na agenda política deste Governo que são de facto muito baixas. A Casa da Música faz muita falta à vida musical no seu todo e tem um prestígio internacional muito grande e compromissos de programação que tem de honrar", frisou.
Por isso, Rui Vieira Nery espera que o Governo reconsidere na decisão e que seja ainda possível encontrar uma solução para a operacionalidade da instituição sob pena de esta perder prestígio nacional e internacional.
"Penso que a decisão aqui ultrapassa o secretário de Estado da Cultura porque tem a ver com o subfinanciamento do setor no seio do Governo. O que está em causa é mais do que a Casa da Música especificamente, é o próprio subfinanciamento trágico da cultura no quadro da política atual do Governo", salientou.
Rui Vieira Nery disse ainda esperar que o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, consiga sensibilizar o primeiro-ministro para a necessidade de rever a situação.
Todos os membros do conselho de administração da Casa da Música, no Porto, renunciaram terça-feira aos respetivos mandatos, devido aos cortes anunciados pelo Governo para 2013, nas transferências de verbas para a Fundação.
Os administradores -- incluindo o presidente Nuno Azevedo - tomaram a decisão, por considerarem que "deixaram de estar reunidas as condições que, até hoje, garantiram o sucesso da Fundação".
A secretaria de Estado da Cultura lamentou terça-feira a renúncia dos administradores da Casa da Música e manifestou empenho na continuação do projeto.
