"Embaixador da língua portuguesa" com "legado brilhante": as reações à morte de Lobo Antunes

Foto: Arquivo
A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, lamentou, esta quinta-feira, a morte de António Lobo Antunes, aos 83 anos, considerando-o um escritor maior e intérprete sensível, que deixa um legado inesquecível.
"É com profundo pesar que lamentamos a morte de António Lobo Antunes, escritor maior de Portugal, intérprete sensível e incomparável da condição humana, um dos nossos autores mais reconhecidos das últimas décadas", disse a ministra da Cultura numa mensagem divulgada na rede social X. Na opinião de Margarida Balseiro Lopes, António Lobo Antunes deixa "um legado brilhante e inesquecível".
É com profundo pesar que lamentamos a morte de António Lobo Antunes, escritor maior de Portugal, intérprete sensível e incomparável da condição humana, um dos nossos autores mais reconhecidos das últimas décadas. Deixa-nos um legado brilhante e inesquecível.
- Margarida B Lopes (@margaridalopes) March 5, 2026
O primeiro-ministro recordou Lobo Antunes como "uma figura maior da cultura portuguesa", dizendo que o seu legado deve continuar a inquietar e a inspirar todos. "Presto muito sentida homenagem a Antonio Lobo Antunes - figura maior da cultura portuguesa. O seu legado é uma crónica da humanidade e da originalidade do olhar português e por isso continuará a inquietar-nos e a inspirar-nos", escreveu Luís Montenegro na rede social X.
Presto muito sentida homenagem a Antonio Lobo Antunes - figura maior da cultura portuguesa. O seu legado é uma crónica da humanidade e da originalidade do olhar português e por isso continuará a inquietar-nos e a inspirar-nos.
- Luís Montenegro (@LMontenegro_PT) March 5, 2026
Em meu nome pessoal e em nome do Governo, expresso as...
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, lamentou também a morte do escritor, classificando-o como "enorme embaixador da língua portuguesa" numa mensagem oficial na rede social X. "Como poucos revelou as vísceras da alma e as sinopses do corpo. Uma lucidez distante que não é desdém mas desapego. Um enorme embaixador da língua portuguesa", escreveu.
O MNE @PauloRangel_pt lamenta profundamente a morte de António Lobo Antunes, vulto maior da literatura portuguesa. Como poucos revelou as vísceras da alma e as sinopses do corpo. Uma lucidez distante que não é desdém mas desapego. Um enorme embaixador da língua portuguesa.
- Negócios Estrangeiros PT (@nestrangeiro_pt) March 5, 2026
O secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, lamentou a morte de Lobo Antunes como a perda de "homem com uma humanidade comovente" e sublinhou a importância de olhar para o futuro do seu legado. "É uma grande perda para Portugal, para a cultura, para a literatura em particular, porque o António Lobo Antunes foi uma das vozes das últimas décadas que mais se distinguiu no modo de contar histórias, no modo como olhou para nós próprios, para a nossa condição de portugueses e retratou momentos muito importantes do nosso passado e presente", afirmou Alberto Santos, que era presidente da Câmara Municipal de Penafiel quando Lobo Antunes foi o homenageado, em 2012, do festival literário Escritaria.
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O secretário de Estado da Cultura salientou que "é um legado que se perde hoje com a sua partida, mas por outro lado também [há] que olhar para aquilo que ele deixou, nomeadamente para todo o seu edifício literário, para aquilo que Portugal e o mundo ganhou com a sua escrita". "Eu espero, tenho a certeza, [que] será cada vez mais reconhecido por aqueles que haverão de estudar e de compreender melhor esse trabalho", acrescentou o governante.
"Revolucionou a literatura nacional"
O presidente da Assembleia da República considerou que Lobo Antunes revolucionou a literatura nacional e que deixa uma obra extensa premiada em Portugal e no estrangeiro. Numa mensagem publicada na página da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco manifesta "profundo pesar pela morte de António Lobo Antunes". "Escritor e médico psiquiatra, revolucionou a literatura nacional. Deixa uma obra extensa, premiada em Portugal e no estrangeiro", escreve o presidente do parlamento.
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O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, assinalou que a morte do escritor constitui "uma perda irreparável para a literatura e para a cultura" portuguesas. "A morte de Antonio Lobo Antunes constitui uma perda irreparável para a literatura e para a cultura portuguesa e enche-nos a todos de tristeza. Portugal perde uma das suas referências, num momento em que elas tanto são precisas", afirmou José Luís Carneiro.
O líder do PS considerou, na rede social X, que "ler a sua obra e ensiná-la às gerações futuras é um compromisso que, como sociedade", deve ser assumido "e constituirá a garantia da sua continuidade como um dos grandes autores de sempre da literatura portuguesa". "Neste momento de dor e de perda expresso as minhas mais sentidas condolências à família, aos amigos e a todos os seus leitores", acrescentou na publicação.
A morte de Antonio Lobo Antunes constitui uma perda irreparável para a Literatura e para a Cultura portuguesa e enche-nos a todos de tristeza. Portugal perde uma das sua referências, num momento em que eles tanto são precisas.
- José Luís Carneiro (@jl_carneiro) March 5, 2026
Ler a sua Obra e ensiná-la às gerações futuras é um...
O Livre afirmou que o escritor foi "uma das vozes mais marcantes da literatura portuguesa" e recordando-o pela sua "escrita inquieta, exigente e humana". "O Livre lamenta a morte de António Lobo Antunes, uma das vozes mais marcantes da literatura portuguesa. A sua escrita inquieta, exigente e humana continuará a desafiar e a acompanhar leitores por muito tempo", escreve o partido na sua conta oficial na rede social X.
"Testemunho poderoso do nosso tempo"
O presidente da República eleito, António José Seguro, recebeu com "enorme tristeza" a notícia da morte de Lobo Antunes, cuja obra considerou "profundamente marcada pela lucidez" e "exigência moral" para com o país e a condição humana. "A sua obra, profundamente marcada pela lucidez, pela memória e pela exigência moral com que olhou o país e a condição humana, ocupa um lugar incontornável na nossa cultura. Ao longo de décadas, os seus livros desafiaram leitores, abriram caminhos na literatura e deram à língua portuguesa uma expressão singular de intensidade e verdade", escreveu António José Seguro na rede social Instagram.
Para o presidente eleito, "António Lobo Antunes foi um escritor de rara coragem intelectual, capaz de transformar a experiência individual e coletiva em literatura de grande fôlego". "A sua escrita ficará como um testemunho poderoso do nosso tempo e como um património duradouro da cultura portuguesa", escreveu Seguro, que referiu ter recebido "com enorme tristeza a notícia da morte de António Lobo Antunes, uma das vozes maiores da literatura portuguesa contemporânea".
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Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa disse ter sido um privilégio viver no tempo de Lobo Antunes, considerando que o escritor faz parte da rara aristocracia da literatura mundial. "Tivemos a sorte e o privilégio de viver no tempo de António Lobo Antunes. Tivemos a sorte e o privilégio de ver o fruto da sua obsessão pela escrita. Tivemos a sorte e o privilégio de ver nele o maior intérprete do Portugal do nosso tempo: do fim do império, da experiência da guerra, da psicologia tão complexa deste nosso velho país", salientou Carlos Moedas numa mensagem na sua página na rede social Facebook.
Na mensagem, Carlos Moedas garante não ter "dúvidas de que Lobo Antunes faz hoje parte da rara aristocracia da literatura mundial, onde estão os grandes mestres". "Hoje só podemos dizer, com orgulho, que fomos a cidade e a pátria de António Lobo Antunes.
Já o governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, assinalou que a escrita de Lobo Antunes é "única" e que a melhor homenagem ao escritor é ler os seus livros. Numa publicação na rede social X, Santos Pereira lembrou uma entrevista de Lobo Antunes onde este dizia: "Ninguém escreve como eu". "É verdade. A escrita de Lobo Antunes é única. Na forma. No ritmo. Na criatividade. Na audácia e na ironia", disse o governador. "Agora que o perdemos, a melhor homenagem que podemos fazer a este grande escritor é ler os seus livros e apreciar a sua escrita magnífica", afirmou Santos Pereira, acrescentando que irá reler alguns dos seus melhores livros e deleitar-se "com a sua inesquecível prosa".
"Ninguém escreve como eu", disse António Lobo Antunes numa entrevista há alguns anos. É verdade. A escrita de Lobo Antunes é única. Na forma. No ritmo. Na criatividade. Na audácia e na ironia.
- Alvaro Santos Pereira (@santospereira_a) March 5, 2026
Agora que o perdemos, a melhor homenagem que podemos a este grande escritor é ler os... https://t.co/wvujQJhrlo
"Contributo ímpar de memória e identidade"
A Ordem dos Médicos (OM) manifestou o seu "profundo pesar" pela morte do médico e escritor, destacando a perda de uma personalidade que honrou a Medicina e a Cultura. A OM salienta que Lobo Antunes é reconhecido como "um dos maiores escritores da literatura portuguesa contemporânea", tendo projetado internacionalmente a cultura nacional. Recorda que o escritor era formado em Medicina e especializado em Psiquiatria, tendo exercido no Hospital Miguel Bombarda antes de se dedicar plenamente à escrita. "A sua obra, marcada pela experiência clínica, constitui um contributo ímpar de memória e identidade", sublinha a OM.
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A escritora Lídia Jorge sublinhou a "voz singular" e "força inovadora" de Lobo Antunes, cuja obra literária "junta a narrativa interna com o eco da história concreta da nação" portuguesa. Contactada pela Lusa, Lídia Jorge considerou que Lobo Antunes "deixa uma obra de extrema singularidade em Portugal e um pouco por toda a parte", onde era publicado, em mais de 30 línguas. "Não houve nenhum escritor contemporâneo entre nós que tenha tido a força inovadora que ele teve. Conseguiu fazer o que se pensava impossível: juntar o modelo do romance psicológico do início do século XX com a narrativa histórica de um país", descreveu a escritora.
O presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), José Jorge Letria, lamentou a morte de Lobo Antunes, "um autor resistente com uma obra notável", que "ficará para sempre" na História da Literatura portuguesa. Contactado pela Lusa, o dirigente da SPA - da qual o autor era sócio desde 2004 - sublinhou que Lobo Antunes "deixa uma obra brilhante e longa, menos premiada do que se esperava".
O presidente da Associação Portuguesa de Escritores (APE) considerou que a morte de António Lobo Antunes é uma grande perda para a literatura portuguesa, destacando que deixa uma grande obra como legado. "O António Lobo Antunes foi e será um dos nomes nucleares de toda a nossa história literária. É pois a perda de alguém que deixa uma obra absolutamente fundamental que irá sendo sempre reencontrada nos seus diversos géneros através de múltiplas gerações", disse José Manuel Mendes.
Para o presidente da APE, a morte de Lobo Antunes é uma perda dolorosa e o momento é de luto para a literatura portuguesa. "Da 'Memória de Elefante' ao último dos seus romances e às suas crónicas singularíssimas e muito sedutoras tudo vibra de uma intensidade que conjuga experiências literárias, profundidade psicológica e conhecimento do humano na sua dimensão social, mas também, senão sobretudo, no seu labirinto interior e numa escrita que se desafiava a si proporia, procurando soluções inovadoras que foi construindo de página a página", disse.
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O ex-diretor do Teatro Nacional São João, no Porto, Nuno Cardoso, que em 2024 encenou e adaptou para palco a obra "Fado Alexandrino", de António Lobo Antunes, lamentou a morte daquele que é o seu escritor favorito. "Deitei-me com o livro dele na cabeceira e acordei sozinho", disse Nuno Cardoso, manifestando "uma profunda admiração pela escrita" de Lobo Antunes que deixa "uma obra imensa". Portanto, "ele vai estar comigo durante muito tempo. Para mim, ele é o maior escritor português contemporâneo", acrescentou. "Eu sei que isto é muito discutível, mas é a minha opinião. Foi um escritor que bateu de frente com esta espécie de véu de boas maneiras, de silêncio, de recato podre que nós temos enquanto povo. Isso criou muito equívoco, a ideia que eu tenho dele é de uma pessoa profundamente humana, profundamente dada", afirmou o encenador.
O diretor do Festival d'Avignon, Tiago Rodrigues, considerou Lobo Antunes "um gigante" a quem "é devida a gratidão profunda a que nos obriga a sua obra, mas também a paixão obsessiva pela escrita". A "paixão obsessiva pela escrita que gera escrita que se transforma em escrita porque não há senão a escrita", escreve o dramaturgo e encenador na sua página na rede social Facebook. A propósito da morte de Lobo Antunes, Tiago Rodrigues acrescenta só se ter cruzado "meia dúzia de vezes com o génio gigante" que é o escritor. "Mas a cada vez retirei lições que vieram confirmar a monumentalidade da sua obra literária. Desde a minha infância que o imaginava um gigante. Lendo-o, sempre li um gigante", acrescenta.
