
Lucy Letby foi condenada a prisão perpétua por matar sete bebé e tentar assassinar outros sete
Foto: Netflix
Documentário da Netflix "Enfermeira Letby: A Investigação" acompanha caso de enfermeira britânica condenada por matar bebés.
Uma das assassinas em série mais prolíficas da história ou um dos maiores erros judiciais dos últimos tempos? O dilema é este: quantas verdades sobrevivem quando um crime já tem culpada? Quantas dúvidas cabem numa condenação aparentemente definitiva?
O novo documentário da Netflix "Enfermeira Letby: a investigação", que estreou a 4 de fevereiro, centra-se no caso altamente mediático de Lucy Letby, uma jovem enfermeira neonatal, presença constante junto de bebés frágeis. E também condenada pela morte de sete e pela tentativa de assassinar outros sete. Durante um período de um ano, entre junho de 2015 e junho de 2016, os casos multiplicaram-se no Hospital Countess of Chester, no Reino Unido. Colapsos repentinos, resultados anormais de exames de sangue e descoloração da pele interpretada como sinais de intoxicação por insulina e embolia gasosa.
Em hora e meia de interrogatórios, depoimentos e filmagens da detenção de Lucy Letby em casa - entre abraços aos gatos e os gritos da mãe de fundo -, o documentário segue num espaço inicialmente estável, quase óbvio. É que o padrão parecia impossível de ignorar: sempre que um coração parava, ela estava lá. E a culpa seguiu-a até casa. Folhas confidenciais escondidas e notas escritas à mão em diários como "sou má, eu fiz isto".
Destinada a passar a vida atrás das grades, o final da história estava escrito. Mas quando se levantam perguntas e novas vozes, as certezas já não são tão certas. Novas análises, conclusões diferentes. Interpretações clínicas questionáveis, falhas no sistema, um hospital sobrecarregado. Com Lucy Letby afastada, havia menos mortes... mas também menos bebés. A necessidade de uma explicação? Ou de alguém para responsabilizar?
Então, quando todos contam uma história diferente, quem decide qual é a verdadeira?

