O caso é monumental: hoje é a primeira vez que se vai ouvir na Casa da Música "Il trovatore"

Cristiana Oliveira, soprano de Braga, e o tenor Carlos Cardoso entre os braços do maestro Rómulo de Assis
Foto: Pedro Correia
Ópera em versão concerto junta mais de 100 artistas em palco, num elenco que põe em foco a soprano Cristiana Oliveira e o tenor Carlos Cardoso.
Carlos Cardoso, o tenor lírico apaixonado nascido em Fafe, diz a determinado passo do ensaio, a descruzar os braços que premia em X sobre o peito: "As pessoas têm razão, Verdi faz teatro, não faz música". Ridente, olha para Cristiana Oliveira e a soprano-spinto nascida em Braga, verdiana até ao tutano, que dialogava com ele a menear um braço enquanto soltava a sua voz de alta-voltagem dramática, mas delicada como o suspiro molecular de uma flor, sorri e abana a cabeça: "Não sei se concordo. O que Verdi faz é pôr o teatro na música - ouves e desatas logo a ver". Ambos têm razão e o maestro Rómulo Assis, que sorri sempre dos olhos, diz isto: "Estes dois meninos estão fartos de cantar juntos, é impressionante a sua química vocal". E retomam o ensaio com o pianista Filipe Cerqueira, o maestro de braços no ar como um condor.
