
Miguel Guedes, diretor artístico do Coliseu Porto
Pedro Correia/Global Imagens
Novo diretor artístico apresenta esta sexta-feira uma nova identidade para a "casa mais democrática".
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A partir deste sábado, os espetadores que entrarem na sala do Coliseu Porto Ageas ouvirão uma composição musical de Alexandre Soares (GNR, Três Tristes Tigres, entre outros). A iniciativa faz parte da nova identidade da instituição que Miguel Guedes, em funções há dois meses no cargo de diretor artístico, chama de "Mantras".
Para o efeito, convidou músicos destacados - maioritariamente do Porto - a comporem "composições em loop", associadas a diferentes categorias de espetáculo: Pedro Abrunhosa (pop-rock); Carlos Azevedo (circo); Manel Cruz (eventos infanto-juvenil); Noiserv (cultura alternativa); Surma (música eletrónica) e Pedro Burmester e o filho Ricardo Burmester (cultura erudita).
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Uma forma "de tornar a sala do Coliseu que é tão monumental habitada e uma experiência diferenciada para o público", conta ao JN.
Além dos mantras musicais, aceites de "forma visceral" pelos convidados, há também mantras visuais com a assinatura de André Tentúgal e mantras poéticos de Pedro Lamares e Filipa Leal, que serão também as novas vozes do Coliseu. Cada mês haverá um binómio; para abril, o tema escolhido é voz/diversidade.
"A partir de agora, o Coliseu está numa residência artística permanente, com artistas que fazem parte do património imaterial do Coliseu", diz. Na sala, o novo diretor introduziu também algumas mudanças de cosmética, como novas roupas para criar uniformidade no pessoal de sala, bem como néons e LED no exterior, pequenos detalhes que assegura que tornarão "a sala mais atrativa".
Vale cultural do Porto
Sobre os grandes detalhes, como as obras e a possível concessão do espaço, Guedes ainda se escusa a falar, revelando ao JN que lhe agrada "particularmente a ideia de estar geograficamente no grande vale encantado cultural da cidade do Porto e trabalhar, em rede, com outras instituições como o Batalha Centro de Cinema, o Teatro Rivoli, o Sá da Bandeira, o Teatro Nacional São João e na outra ponta o Carlos Alberto". Como se consegue esta rede? "Com muita vontade de todos e com o sentido de estar a trabalhar numa instituição privada com utilidade pública. A casa mais democrática do Porto", soluciona.
Sobre as especificidades do Coliseu, a única com dois fossos de Orquestra capazes de receber espetáculos como ópera e ballet, considera que "é uma oportunidade gigantesca, que tem de ser feita com igual pompa, mas com maior circunstância". Para tal é necessário um trabalho na reabilitação de pessoas, um "trabalho continuado feito com as escolas profissionais, artísticas e também as escolas públicas", conta.
Isto é aplicável também a diferentes populações que se querem "democráticas e confluentes como o próprio Coliseu", explica.
A programação de 2023 já foi herdada por Miguel Guedes, mas assegura que "´é de enorme qualidade". "E ainda há por revelar muito boas surpresas, como foi o concerto de Bob Dylan [em junho]", acrescenta .Para 2024 assegura que este será um ano também em "overbooking" e que deverá tocar os "espetáculos de franjas que as outras instituições não querem fazer".

