
Valeria Castro: "Admiro muito a vossa forma de cantar, de fazer a música, especialmente uma artista como a Carminho, ou o Salvador Sobral"
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A cantora que está a renovar o folclore espanhol aos 26 anos, mostra em exclusivo, em setembro, no Porto, Lisboa e Setúbal, o seu novo disco "El cuerpo después de todo". O JN falou com Valeria Castro.
É a nova dama da música popular espanhola, aos 26 anos está a restaurar o folclore canário, e a sua urbanidade engrandece o que é ancestral. Valeria Castro estreou-se por cá em 2023 como um pequeno cometa, "Con cariño y con cuidado", foi nomeada aos Grammy Latinos, venceu três prémios da Academia da Música de Espanha e, ao segundo álbum, eleva as suas canções autorais e atinge um novo patamar emocional, que firma na explícita vulnerabilidade de "El cuerpo después de todo".
Desde que tudo começou há longínquos quatro anos, a cantora e compositora nascida em Los Llanos de Aridane, La Palma, Canárias, em Espanha, fusiona folk, flamenco e rock com as almas caudalosas do folclore, permitindo que muito lhe acontecesse para alcançar a profundidade confessional. O novo disco traz lá dentro "Debe ser", um drama a meias com uma das suas maiores influências, a catalã Silvia Pérez Cruz.
A artista marcou para a rentrée três datas especiais em Portugal, três concertos em formato acústico, intimista, feminino. As suas aparições são na Igreja de St. George, em Lisboa, a 6 de setembro, no Cinema Charlot, em Setúbal (dia 12), e na Casa da Música, no Porto (dia 13). Ao JN, explica como atuar em Portugal em 2023 foi fulcral.
Como foi, há dois anos, a sua primeira experiência com Portugal?
Foi especial, muito bonita, porque foi o meu primeiro internacionalizar das canções. Foi um prazer levá-las a um público que não entenderá totalmente as letras, mas que tem uma conexão com a emoção. Foi uma das primeiras vezes que vi um público emocionado sem talvez entender tudo o que lhe estava a dizer. Por isso, emociona-me muito, voltar - e poder tentar captar isso novamente.
A sua carreira de quatro anos traz-lhe felicidade?
Sim, está a ser um início de carreira muito feliz. Agora estamos com este novo disco, um pouco mais maduro e mais pessoal, a abrir caminho para contar uma história, as minhas inseguranças, complexos. Mas, sim, estou a aprender muito.
É fã de Silvia Pérez Cruz, com quem partilha uma canção: onde mais bebeu influências?
Uma das minhas maiores referências é a Silvia, que está neste disco, o que para mim é uma imensa honra. Mas, na lista da gente que mais me inspirou, nomeio sempre a Natalia Forcada, Jorge Drexler e, muitas vezes, também olho para Portugal. Sempre admirei muito a vossa forma de cantar, de fazer a música, especialmente uma artista como a Carminho. Ou o Salvador Sobral. Adoraria poder fazer algo com eles.
É verdade que a sua música "limpa a alma"?
Quando as músicas têm esse poder nas pessoas, chegam à alma, sanam um pouco, fico tão eternamente agradecida. Este disco é tão pessoal e, de repente, ver um exercício tão pessoal que chega dessa maneira às pessoas e as cura, forma-se algo coletivo muito bonito. Aquilo que me curou ao compor poder curar a seguir alguém, isso é o mais bonito de tudo. Essa é a magia da música, não é?
Como se vai apresentar agora em Portugal?
Vai ser um formato realmente bonito, porque são os primeiros concertos da nova tournée europeia e vamos em acústico, formato trio, completamente feminino, com o qual vamos traduzir essas canções que fizemos este ano. Emociona-me muito, porque, no final, é um disco que tem uma energia muito feminina, e poder atrair um público assim, em concertos mais pequenos, vai ser algo muito íntimo, especial.
