
Ana Abrunhosa
Foto: Leonel de Castro
No meio de dias intermináveis de inundações, a presidente de Câmara de Coimbra Ana Abrunhosa tem sido um dos rostos na luta diante das consequências trazidas pelas tempestades. Conheça o perfil da economista, autarca e antiga ministra socialista da Coesão Territorial.
Depois de uma noite longa em Coimbra com a antecipação de cheias e de inundações da baixa da cidade e com um novo pico marcado para as 15.00 horas desta sexta-feira, 13 de fevereiro, a cidade do Mondego e os arredores não têm tido descanso com as sequelas deixadas pelas intempéries desde 27 de janeiro, quando a depressão Kristin destruiu grande parte da zona centro do País.
No confronto com estes impactos, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, tem sido um dos rostos presentes no terreno, tendo vindo a ser voz para populações, para medidas e para tomadas de decisão de evacuação antes do galgar das margens do Mondego, tudo num dos momentos mais críticos da histórica da cidade.
"Tenho muito medo da segurança. Há infraestruturas que temos de analisar", declarava a presidente de câmara na madrugada após o colapso de um troço da A1 e na sequência do rebentamento de dique do Mondego.
Ana Abrunhosa com presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro Luís Montenegro
Mas, afinal, quem é Ana Abrunhosa?. A economista e antiga deputada pelo círculo de Coimbra é autarca da "cidade dos estudantes" desde 2025, quando foi eleita com 42,1% dos votos pela coligação "Viver Coimbra", composta pelo Partido Socialista, Livre e PAN.
A atual presidente de Câmara foi, entre outubro de 2019 e abril de 2024, ministra da Coesão Territorial, nos governos de António Costa. Nascida em Angola, em 1970, Ana Maria Pereira Abrunhosa é licenciada, mestre e doutorada em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, instituição onde tem vindo a dar aulas desde 1995 e em disciplinas como Introdução à Economia, Microeconomia I, Economia Regional, Economia Europeia, Introdução à Gestão, Seminário Gestão da inovação, entre outras.
De acordo com biografia publicada pela Assembleia da República, Ana Abrunhosa foi presidente da Comissão Diretiva do Programa Operacional Regional do Centro entre maio de 2014, cargo que deixou e ocupar quando se tornou ministra.
Assumiu presidências do Comité de Investimento do Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas, em junho de 2016, e do Conselho Geral do Fundo de Dívida & Garantias, da Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), de julho de 2017 a dezembro de 2018.
Durante o exercício do cargo como ministra de António Costa foi também alvo de polémica em torno de alegado conflito de interesses ligados a fundos comunitários que empresas do seu marido receberam e no âmbito dos quais Ana Abrunhosa, que tutelava esta pasta, assegurou que nem ela, nem os secretários de estado da pasta que tutelava, tiveram qualquer intervenção no processo de aprovação de candidaturas ou na atribuição de apoios financeiros à então empresa Thermalvet.
"Para que fique absolutamente claro: nem eu, nem nenhum dos meus Secretários de Estado, alguma vez tivemos intervenção, direta ou indireta, no processo de aprovação de candidaturas, nem na atribuição de qualquer apoio financeiro", escrevia em outubro de 2022, num artigo de opinião sobre a matéria e com o titulo "A mulher de César é séria". À data do caso, o Expresso noticiava ainda que um dos sócios do marido da então ministra numa das empresas que recebeu fundos comunitários era um empresário condenado por corrupção ativa no processo dos Vistos Gold.
Em junho de 2023, Ana Abrunhosa afirmava que "os ministros governavam para o povo", de quem deviam estar próximos". À data, a então governante, que aceitou participar nas marchas de Ponte de Lima, destacou a importância de "não falarem só de problemas, mas também de festa".
Um momento raro protagonizado por uma governante, Ana Abrunhosa vestiu a pele de D.Teresa nas marchas populares, com coroa na cabeça, brincos à rainha, coração de Viana ao peito e um vestido roxo beringela bordado à mão especialmente para ela e para esta participação. "O evento tem dignidade para as pessoas de Ponte de Lima, tem dignidade para uma ministra. Porque é que um ministro há de ser diferente de um cidadão, de um pai, de uma criança, de um presidente de junta? Porque é que não nos podemos juntar e celebrar o São João, festejando a nossa cultura, as nossas tradições, o nosso orgulho?", afirmou na ocasião. "Gostava que todos os colegas do Governo andassem mais no terreno e não apenas em dias de festa como hoje. Em dias normais, para perceberem os problemas", declarou.

