Cortes já fecharam a porta ou suspenderam programas a um terço das organizações que apoiam mulheres

Os resultados chegam após consulta e investigação a quase 430 organizações de defesa dos direitos das mulheres
Foto: Arquivo
O cenário estava previsto, anunciado e alertado desde março, após anúncio dos cortes do financiamento da ONU, mas chegam agora os primeiros resultados: uma em cada três organizações suspendeu ou encerrou programas que pretendiam pôr fim à violência contra as mulheres.
A Organização das Nações Unidas para as Mulheres revelou, em relatório, que os cortes financeiros drásticos no apoio a entidades empurraram 34% das organizações, ou seja, uma em cada três, para a suspensão ou mesmo encerramento de programas de apoio que lutam contra a violência contra a mulheres. Conclusões que chegam meses depois dos primeiros alertas feitos pelas plataformas, em março deste ano, e que chamavam a atenção para esta realidade.
Segundo o mesmo estudo divulgado no final de outubro, uma em cada quatro entidades que tutelavam abrigos para mulheres ou que apoiavam jurídica ou psicologicamente as vítimas reduziram ou fecharam serviços por falta de verbas. Esta é também a percentagem de entidades que tiveram que suspender ou interromper completamente as ações de prevenção de violência, fazendo disparar a perceção de impunidade.
Os resultados chegam após consulta e investigação a quase 430 organizações de defesa dos direitos das mulheres, um pouco por todo o mundo, trazendo um retrato negro do fim do apoio e do aumento da desproteção.
"As organizações de direitos das mulheres são a espinha dorsal do progresso na violência contra as mulheres, mas estão a ser empurradas para o limite. Não podemos permitir que cortes no financiamento apaguem décadas de conquistas", afirma, citada em comunicado, a diretora da secção Acabar com a Violência contra Mulheres e Raparigas, ONU Mulheres. Kalliopi Mingeirou apela a "governos e mecenas para protegerem, expandirem e tornarem o financiamento mais flexível". "Sem investimento sustentado, a violência contra as mulheres e as raparigas só aumentará", acrescenta, citada na nota tornada pública.

