
Esta é a segunda vez que a Conferência pela Ordenação de Mulheres procede a esta iniciativa, tendo-o feito em 2013, aquando da eleição do Papa Francsico e pugnando pela mesma causa
Foto: X/Barry Lenihan
"Muitas mulheres estão a olhar para o conclave e para o futuro da Igreja e a perguntarem-se: há um lugar para mim aqui?", afirmaram os elementos da Conferência pela Ordenação de Mulheres quando lançaram fumo rosa no Vaticano em protesto pela ausência de mulheres na eleição do novo Papa
A Conferência pela Ordenação de Mulheres na Igreja Católica não entrou na Capela Sistina para eleger o novo Papa que sucede a Francisco, mas fez-se ouvir fora de portas, no Vaticano. O grupo que protesta contra a ausência de mulheres numa eleição que é feita exclusivamente no masculino lançou fumo rosa, no primeiro dia do Conclave, esta quarta-feira, 7 de maio.
“Isto é um pecado e um escândalo”, afirmou o coletivo liderado pela diretora executiva Kate McElwee aos media internacionais que acompanharam o momento. E justificou: “Estamos aqui como um sinal de esperança para que a Igreja possa trabalhar rapidamente para reconhecer as mulheres como iguais em todas as áreas da vida da Igreja”.
Esta é a segunda vez que a Conferência pela Ordenação de Mulheres procede a esta iniciativa, tendo-o feito em 2013, aquando da eleição do Papa Francisco e pugnando pela mesma causa.
Apesar de esta possibilidade não ter sido integrada nas práticas religiosas, as reformas aplicadas pelo Papa Francisco atribuíram às mulheres o poder de auxiliar o sacerdote ou diácono no altar e distribuir a comunhão, de recitar orações e textos sagrados, como salmos, durante a missa e outros serviços, mas não os evangelhos, reservados aos padres.
Ainda durante os 12 anos do pontificado de Jorge Bergoglio, as mulheres ganharam mais poder no seio da Igreja – com nomeações para funções nunca antes vistas no Vaticano -, mas também maior presença. Segundo dados da Vatican News, as mulheres representavam 19,2% dos funcionários, em 2013. Dez anos depois, a percentagem tinha subido até aos 23,4%.
Medidas inequívocas, mas que não responderam a uma reivindicação maior: a luta pela integração de diaconisas. Por isso, a batalha das mulheres ganha agora renovado fôlego. “Este é um momento decisivo. Muitas mulheres estão a olhar para o conclave e para o futuro da Igreja e a perguntarem-se: há um lugar para mim aqui?", acrescentou o coletivo citado pelos media internacionais.

