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Apesar do consumo excessivo de álcool num curto período de tempo seja mais elevado nos rapazes, o número de raparigas com comportamento "binge" está a aumentar, segundo relatório anual de 2024 divulgado pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências. Mas também há boas notícias: a ingestão de bebidas alcoólicas está a começar em idades mais tardias.
Elas bebem mais ligeiramente que os rapazes e estão a aumentar no consumo binge de álcool, prática segundo a qual é ingerido um volume elevado e severo de bebidas alcoólicas num curto período de tempo. "Embora o consumo binge continue a ser um pouco mais expressivo nos rapazes (49%) do que nas raparigas (46%), as diferenças são cada vez menores, sendo as prevalências de embriaguez severa já idênticas entre os dois grupos (33%)", lê-se no sumário executivo dos relatórios anuais de 2024, divulgados pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD).
O mesmo documento revela que, "pelo terceiro ano consecutivo, a prevalência de embriaguez ligeira foi superior no grupo feminino (61%, face a 56% nos rapazes)".
Um quadro bastante negro que traz, contudo, algumas tendências positivas registadas nas classes etárias mais jovens. O relatório sobre o consumo anual de álcool revela que os mais novos, "a população geral de 18 anos e de outros subgrupos populacionais em contexto tutelar e escolar", "evidenciaram descidas relevantes das prevalências de consumo de bebidas alcoólicas ao longo da vida, assim como do consumo recente e atual, refletindo-se tendencialmente numa diminuição da embriaguez e do binge, embora nem sempre entre os grupos de consumidores, nem em todas as idades".
O mesmo documento revela que o consumo de álcool parece estar a iniciar-se mais tarde, em termos etários, bem como as ingestões severas e rápidas das bebidas. Ainda assim, o relatório sublinha o facto de estar a ser detetada "uma evolução dos consumos menos positiva no grupo feminino, que apresenta já prevalências de consumo superiores às dos rapazes e, prevalências de binge e de embriaguez próximas". "Também a experiência recente de problemas relacionados com o consumo de álcool sofreu, nos últimos três anos, um aumento relevante face aos anos pré-pandemia", acrescenta o relatório.

