Menopausa com impactos cerebrais semelhantes aos observados na doença de Alzheimer

Conclusões partem de um estudo britânico que contou com a participação de 125 mil mulheres
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Conclusões partem de um estudo britânico que contou com a participação de 125 mil mulheres, das quais 11 mil fizeram ressonâncias magnéticas para avaliar eventuais marcas cerebrais da menopausa e a sua relação com a terapia hormonal de substituição.
Estudo divulgado esta terça-feira, 27 de janeiro, na revista Psychological Medicine, indica que a menopausa está "ligada a resultados adversos para a saúde mental e a reduções no volume de massa cinzenta em regiões-chave do cérebro", lê-se no documento que apresenta a análise e que avalia também o impacto da terapia de substituição hormonal na menopausa bem como os seus efeitos.
Segundo a pesquisa, a opção pelo tratamento "não parece mitigar esses efeitos e pode estar associado a desafios de saúde mental mais pronunciados". Investigadores consideram relevante a "compreensão dos efeitos neurobiológicos da terapia de substituição hormonal" bem como a "necessidade não atendida de abordar problemas de saúde mental" durante esta fase da vida mulher", lê-se na mesma análise levada a cabo por investigadores da Universidade de Cambridge.
A investigação, que nega eventuais interesses conflituantes, diz ter avaliado dados de cerca de 125 mil mulheres registadas no biobanco britânico, das quais 11 mil fizeram ressonâncias magnéticas. Citada pela estação pública BBC, a autora sénior e professora Barbara Sahakian afirma que "as regiões do cérebro onde vimos essas diferenças (cerebrais) são aquelas que tendem a ser afetadas pela doença de Alzheimer", e que vão desde as zonas responsáveis pela aprendizagem e memória, atenção e regulação de emoções. Para a investigadora, "a menopausa pode tornar estas mulheres vulneráveis no futuro" e crê que estes dados podem "ajudar a explicar" a razão pela qual existe "quase o dobro de casos de demência em mulheres do que em homens".
Em matéria de saúde mental, o estudo intitulado "Efeitos emocionais e cognitivos da menopausa e a terapia hormonal de substituição" (e que pode ser consultado no original aqui) avança que as mulheres em terapia hormonal evidenciavam maior propensão para uma saúde mental mais pobre, mas também nota que muitas delas já tinham sintomas ainda antes da prescrição. "Todos precisamos de estar mais sensíveis não apenas à saúde física, mas também à saúde mental das mulheres durante a menopausa", recomenda a coautora do estudo Christelle Langley, citada pela BBC.

