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As doenças cardiovasculares não se manifestam da mesma forma nem com a mesma intensidade entre mulheres e homens. Cardiologista explica diferenças numa patologia que ainda é a principal causa de morte no sexo feminino.
"As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de morte nas mulheres, ultrapassando o cancro da mama, do pulmão e as doenças pulmonares crónicas combinadas". A frase é da cardiologista Lígia Mendes e traz à luz as diferenças de género em matéria de patologias relativas ao coração. Uma discrepância que, refere, "muitas mulheres e profissionais de saúde ainda não reconhecem, contribuindo para atrasos no diagnóstico e tratamento".
Antes de prosseguir para os problemas cardíacos que se manifestam com maior incidência no sexo feminino, Lígia Mendes deixa um alerta. "Preocupantemente, as taxas de mortalidade por doença cardíaca isquémica (enfarte) estão a aumentar nas mulheres jovens, entre os 35 e 54 anos, enquanto diminuem nos homens. A menopausa precoce, antes dos 40 anos, aumenta o risco cardiovascular em 70%", afirma. Mediante factos desta dimensão, "as várias sociedades científicas da área cardiovascular como a Sociedade Portuguesa de Cardiologia defendem uma abordagem preventiva ao longo de toda a vida da mulher, com especial atenção às fases de transição: início precoce de fatores de risco, gravidez e transição para a menopausa", recomenda a especialista.
Cardiologista Lígia Mendes (Foto: Divulgação)
Se os momentos de vida estão identificados, há também outras razões que explicam o fenómeno de maior incidência nas mulheres. Lígia Mendes fala dos "níveis basais mais elevados de inflamação sistémica (mais obesidade) e maior prevalência de doenças autoimunes, que aceleram a aterosclerose (doença obstrutiva das artérias". Fatores a que se juntam "as alterações hormonais como a diminuição de estrogénios, durante a menopausa, provoca aumento do colesterol LDL, da lipoproteína(a) e da pressão arterial".
Que problemas afetam mais as mulheres?
Segundo a especialista, as "mulheres apresentam maior risco de enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca (especialmente o subtipo com fração de ejeção preservada) e acidente vascular cerebral quando têm diabetes, comparativamente aos homens com a mesma condição", compara. A cardiologista sublinha mesmo que "a diabetes tipo 2 confere às mulheres um risco cardiovascular 25 a 50% superior ao dos homens diabéticos".
Também a hipertensão arterial mostra o seu poder, ainda que menos prevalente nas mulheres jovens. A questão centra-se, então, no facto de "aumentar mais rapidamente com a idade do que nos homens, invertendo-se a tendência após os 61-64 anos. Até 80% das mulheres idosas sofrem de hipertensão".
Por fim, elenca "fatores de risco exclusivamente femininos". Entre eles, Lígia Mendes destaca "a pré-eclâmpsia" porque, "durante a gravidez aumenta o risco de doença cardíaca isquémica (enfarte) entre duas a sete vezes". Mas não é a única, e prossegue: "a diabetes gestacional, a endometriose e os miomas uterinos elevam igualmente o risco cardiovascular em 23 e 32%, respetivamente".

